Cristo ressuscitou!

“Não vos assusteis! Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou. Não está aqui. Vede o lugar onde o puseram” (Marcos 16, 6-7). Foi a notícia surpreendente que as três mulheres receberam quando na madrugada se dirigiam ao túmulo para procurar o corpo de Jesus. Em cada Páscoa a Igreja anuncia: Jesus não é um personagem do passado. Ele está vivo e caminha na nossa frente. Chama-nos a segui-lo e a encontrar o caminho da vida, o caminho pascal.

Na primeira vez que Jesus tinha falado de cruz e ressurreição os discípulos se perguntaram o que queria dizer “ressuscitar dos mortos” (Mc 9,10). Entenderam o significado somente quando o fato aconteceu. Porém a discussão dos discípulos continua hoje. Afinal, em que consiste propriamente o “ressuscitar”? Qual o significado tem para nós? Para o mundo e a história no seu todo?

A ressurreição de Cristo é uma mudança para uma dimensão totalmente nova, um salto nunca vivido anteriormente ao longo na história da vida e de seus avanços. Foi como que uma explosão de luz, uma explosão de amor que desfez o nó da questão indissolúvel da morte. Inaugura um novo mundo e inicia uma nova criação.

A Vigília Pascal com sua riqueza de símbolos, textos bíblicos e ritos torna acessível aos sentidos o mistério da ressurreição do Senhor. Permaneçamos somente no símbolo da luz. O primeiro texto bíblico lido é Gênesis. “Deus disse: faça-se a luz” (1,3). Onde há luz nasce a vida, o caos pode se transformar em cosmos, harmonia. A luz torna possível o encontro, a comunicação, o conhecimento, o acesso à realidade e à verdade. O mal se esconde e, por conseguinte, a luz aparece também como expressão do bem. O bem é luminusidade e cria luminusidade.

Antes da ressurreição de Jesus o relato é de trevas, de escuridão. Quando Jesus anuncia a traição de Judas, o evangelista diz, que era noite. Depois trai o Mestre de noite no Monte das Oliveiras. O processo de condenação aconteceu na escuridão e com métodos e argumentos escusos. E, depois de morto, Jesus é colocado na escuridão do sepulcro.

Na ressurreição, inicia-se uma nova criação. “Faça-se e a luz foi feita”. Do túmulo temos uma irrupção de luz. A morte é superada e o túmulo está vazio. O Cristo ressuscitado é luz, a luz do mundo. O amor é mais forte que o ódio. A verdade é mais forte que a mentira. O diálogo é mais forte que a intolerância e o fundamentalismo. Com a ressurreição de Jesus a própria luz novamente é criada e ela nos atrai.

A escuridão é uma verdadeira ameaça para a humanidade. O ser humano é capaz de investigar as coisas palpáveis e materiais. É capaz de iluminar as cidades a tal ponto que não se consegue mais vislumbrar as estrelas. Por outro lado, o ser humano, muitas vezes, não sabe para o mundo está indo, nem distingue o bem do mal, não distingue os valores perenes e vivem em ilusões. Sobre este mundo brilha o ressuscitado.

Outro símbolo de luz muito particular e singelo da Páscoa é o Círio Pascal. Trata-se de uma grande vela que vive a virtude do sacrifício, isto é, a vela para iluminar, vai se consumindo a si mesma e na medida em vai se consumindo vai iluminando. O fogo que consome a vela, simultaneamente, ilumina e dá calor. É um símbolo do Cristo ressuscitado. Ele é a luz e é o fogo. Vai iluminando o caminho e como fogo vai aquecendo os corações e a humanidade e os vai transformando.

FELIZ PÁSCOA!

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

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