Cresce 44% número de doadores de órgãos no RS

Apesar de ter apresentado aumento de 44% em doadores com relação ao primeiro quadrimestre de 2011 e ter investido em ações para reforçar o assunto, o Estado se mantém afastado do topo do ranking nacional de doação de órgãos.

É campeão apenas em transplantes de rins e de pulmão.

O Rio Grande do Sul garantiu a hegemonia em doação de órgãos por duas décadas. A queda começou em 2007 e, desde então, luta para melhorar a colocação em comparação com outros Estados. Segundo o nefrologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre Valter Garcia, presidente do conselho consultivo da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), nos últimos cinco anos, enquanto os Estados que assumiram a ponteira, como Santa Catarina e São Paulo, cresceram acima de 100%, o Rio Grande do Sul manteve-se com baixo aumento no número de doadores.

— Vários hospitais não tinham o equipamento para fazer o diagnóstico de morte encefálica e muitas UTIs foram inauguradas, mas sem neurologista, fundamental no diagnóstico para um possível doador — relata.

Para ele, a logística de doação e a educação da população sobre o tema devem ser melhores trabalhados pelo governo local. A coordenadora da Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, Rosana Reis Nothen, explica que o Estado ficou para trás por falta de investimento, mas garante que novas medidas vêm sendo adotadas, superando percalços históricos com relação ao diagnóstico da morte. A meta é chegar a 2015 com 25 doadores por milhão de habitante no Estado, atingindo um patamar europeu.

Por enquanto, são 17,3 doadores por milhão de habitante no RS, bem acima da média nacional, que é de 13,6 — mas longe de Santa Catarina, no topo, com 26,9. Na comparação ao mesmo período do ano passado, o Brasil registrou aumento de 29% no número de doadores e de 37% no número de transplantes. Os dados foram divulgados hoje pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Brasília.

Padilha anunciou, também, uma campanha em parceria com o Facebook. O programa, lançado anteriormente em diversos países, visa a estimular os usuários a expressarem o desejo de ser um doador de órgãos no Brasil. A funcionalidade tem a missão de agregar e cadastrar possíveis doadores, entre os mais de 37 milhões de usuários do Facebook no país.

A atitude deve servir de estímulo para que se abra o debate sobre o assunto, acredita Garcia, mas, na prática, pouco deve mudar.

— A decisão da doação depende exclusivamente da família, segundo a nossa legislação. Isso vai servir apenas para que a pessoa diga em vida que deseja doar seus órgãos. Seria o facilitador de uma entrevista aos familiares de um doador em potencial.

Na rede
— O Facebook passará a ter entre suas funcionalidades, na Linha do Tempo, a opção de o usuário expor o desejo de doar órgãos.
— O internauta poderá adicionar a informação de que é doador e compartilhar quando, onde e por que decidiu se tornar um.
— Assim como outros dados pessoais, o usuário também pode escolher com quem compartilhar a informação, configurando o controle de privacidade.
— No final de abril deste ano, o Facebook disponibilizou a nova ferramenta para residentes dos Estados Unidos e Grã-Bretanha.
Para ativar a funcionalidade, é preciso realizar os seguintes passos:
— Faça login na sua conta do Facebook e navegue para sua Linha do Tempo.
— Clique em “Evento Cotidiano” na parte superior da sua Linha do tempo.
— Selecione Saúde e bem-estar e Doador de órgãos
— Selecione o público e clique em Salvar

Fila de espera no RS
16 para coração
352 para córneas
139 para fígado
59 para pulmão
1.053 para rim
9 para pâncreas + rins
6 para fígado + rins
1 para pulmão + fígado
Total: 1.635.

Fonte: Secretaria Estadual da Saúde (SES)

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