Contratos publicitários de astros da Seleção ultrapassam R$ 100 milhões durante a Copa do Mundo

Felipão e 12 dos 23 jogadores atacaram como garotos-propaganda, mas especialistas acreditam em resfriamento no mercado após o final vexatório

Picolé, cueca, celular, carro, bateria, bala, energético, desodorante, televisão, banco, anticaspa, guaraná, óculos, lubrificante automotivo e talco para os pés.
Além de gols, esse foi o cardápio oferecido por Neymar, o campeão do patrocínio pessoal entre os jogadores da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo. Derrotados, os comandados de Luiz Felipe Scolari (e o próprio treinador) foram o rosto — e os pés — de quatro dezenas de marcas durante a competição.

A intrépida imagem de 12 dos 23 jogadores convocados e do técnico foi bombardeada para os torcedores a cada comercial de TV, spot de rádio ou anúncio de internet e jornal ao longo da competição. Ainda que o número de patrocínios a figuras do futebol diminua naturalmente com o final do Mundial, o fiasco em campo contra Alemanha e Holanda não deve arranhar a carreira publicitária de todos os garotos-propaganda do grupo do Brasil. A estimativa é de que os contratos em vigor durante o Mundial tenham movimentado valores superiores a R$ 100 milhões.

Principal nome do Brasil e estrela do Barcelona, Neymar deve manter os patrocinadores, conforme análise da empresa de marketing esportivo Brunoro Sport and Business (BSB). Thiago Silva e David Luiz, muito expostos na reta final da Copa, podem ter problemas para renovar com algumas marcas ou ter a imagem “escondida” por um tempo. Outros nomes em baixa são Hulk e Fred, com atuações apagadas e alvos da ira de parte da torcida.

Há 10 anos trabalhando com ativação e gestão de patrocínio ligado ao futebol, Eduardo Rezende, fundador e vice-presidente da BSB, explica que este é um processo natural. Dependendo da performance dos atletas nos clubes — ou na própria Seleção, no futuro —, é possível que campanhas publicitárias sejam retomadas ou reconstruídas, para aproveitar o momento do atleta.

— A curto prazo, dificilmente uma empresa vai querer investir na imagem de um jogador da Seleção. A não ser as de material esportivo, que dependem desses atletas — aponta Rezende.

Quem mais deve perder acordos publicitários — e que também vai demorar mais tempo para voltar a ter o nome associado a alguma marca — é Felipão, apontado como o maior vilão da derrocada brasileira no Mundial.

— Nenhum contrato do Felipão vai ser mantido. E os jogadores vão perder boa parte dos negócios que tiveram para a Copa. Não vai renovar o que poderia ter sido renovado se tivesse ganhado. As empresas vão mudar o foco e tirar do futebol — afirma Erich Betting, diretor do site especializado em marketing esportivo Máquina do Esporte.

Para o professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-Sul) Fernando Trein, a aposta em um técnico como representante de marcas deixa uma lição:

— As empresas e as agências investiram muito no cenário positivo, do Brasil conquistando o título, sem um plano B. Vale como aprendizado. No caso do Felipão, antes da Copa tinha muito sentido contratá-lo. Não começou bem? Pensa em outra campanha. A única certeza sobre o técnico é que ele não vai durar para sempre. Em clube ou na Seleção.

(Clicrbs)

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