Compulsão alimentar: o que origina sua “fome”?

Postado em 20 fevereiro 2016 08:28 por jeacontece
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É muito comum encontrarmos pessoas que se queixam do enfrentamento perante a hora de comer. Em grande parte dos casos, há um descontrole neste momento, o que acaba gerando uma sociedade de adultos com sobrepeso. Este fato pode ainda ser perpetuado dentro do núcleo familiar, onde pais nesta condição estabelecem, sem perceber, a mesma rotina aos filhos, que mais tarde sofrem, buscando se livrar daquilo que não é deles, ou mesmo sendo alvos de bullying em idade escolar.

Para cada objeto de desejo consciente (comida, bebida, droga, sexo, compras, etc.) existe um objeto de desejo inconsciente. Mais além da fome fisiológica, por exemplo, existe um corpo que demanda, mas que não se sacia.

Podemos pensar que o alimento é fonte de prazer primário do ser humano, associado ao afeto, à segurança e à proteção. O seio materno é o primeiro contato do bebê com o mundo externo. É um regulador de ansiedades, angústias, uma vez que o bebê ainda não sabe decifrar estes códigos. O ato de se alimentar não só aplaca a fome, mas também produz a sensação de prazer e conforto.

O que não se sabe é que por traz do desejo incessante de ingerir alimentos, há uma busca por um estado de relaxamento, de alivio de tensão, que erroneamente é descarregado na comida. A ansiedade frequentemente origina o anseio por comer, e como não se tem outros recursos psicológicos para acalmar este desejo, logo passa-se ao ato. O problema é que nosso cérebro acostuma-se com este padrão, e por não desenvolvermos outros meios capazes de amenizar os estragos causados por esta sensação, acaba-se indo pelo caminho mais curto, que é novamente comer, e comer cada vez mais.

Chamamos atenção para este fato: quanto mais alimentos forem ingeridos, num primeiro momento, mais aliviada a pessoa se sentirá. Mais tarde, num segundo momento, vem a culpa, que se não analisada e freada por outros mecanismos, gerará novamente o desejo por comida.

Neste aspecto, evidencia-se que existe a via psicológica por traz de cada comportamento, que contém representações e afetos presentes em toda queixa e nos sintomas corporais, com conteúdo simbólicos.

Para acessar estes conteúdos subjetivos dando um novo significado ao desejo de comer e lançar mão de um repertório mental diversificado, inibindo a compulsão, o processo de psicoterapia é um forte aliado, capaz de desvendar as amarras que produzem tal comportamento e auxiliar o indivíduo a desenvolver novos hábitos de vida, evidentemente mais saudáveis. Não pensar nos conteúdos subjetivos, ou mesmo abafá-los com uso de medicações para perda de peso não resolverá o problema a longo prazo, que cedo ou tarde, voltará em doses cavalares. Pensar, sentir e elaborar fatores de angústia, medo e ansiedade é a forma mais eficaz de resolver este impasse.

(Joana K L Machado da Silva, Psicóloga Clínica. CRP 07/23020)

Postado em 20 fevereiro 2016 08:28 por jeacontece
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