COB estipula meta de 30 medalhas e Brasil entre os dez primeiros em 2016

Postado em 14 agosto 2012 07:48 por jeacontece
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Para 2012, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) impôs uma meta conservadora: repetir as 15 medalhas alcançadas em Pequim/2008. Com um incremento de 50% nos investimentos federais no esporte desde a última Olimpíada, o objetivo foi superado por duas medalhas _ o Brasil voltará da Grã-Bretanha com 17 pódios, o maior número de medalhas já conquistado em uma edição dos Jogos.

Para o Rio/2016, a meta do COB é o dobro da estipulada para Londres: 30 medalhas e estar entre os 10 melhores no quadro de medalhas. O resultado deixou o país na 22ª colocação do quadro geral, que leva em conta em primeiro lugar as medalhas de ouro.

– Queríamos ter metas maiores, mas fomos realistas. É lógico que poderia ter sido mais, mas saímos de Londres felizes e com a sensação de dever cumprido. O Brasil teve a melhor preparação da sua história para estes Jogos – garantiu Marcus Vinícius Freire, superintendente executivo de esportes do COB (veja entrevista abaixo).

Três meses antes dos Jogos, Marcus Vinícius Freire tinha anunciado que o objetivo para 2016 seria conquistar o dobro de medalhas do que em Pequim, o que elevaria a meta para trinta pódios. No entanto neste domingo, ele explicou que queria se limitar ao “top ten” no número total de medalhas.

– O quadro geral está cada vez mais pulverizado. Sete dos 12 primeiros colocados tiveram menos pódios do que em Pequim e mais países conseguiram medalhas. Por isso acredito que seja possível chegar entre os dez primeiros sem necessariamente conquistar 30 medalhas – explicou Freire.

O dirigente também fez um balanço por modalidades, elogiando o desempenho do judô, do boxe e do vôlei. Ele também apontou o que chamou de “pontos de atenção”, termo usado para falar das decepções, na natação, no atletismo, no taekwondo, na vela e na ginástica feminina, que não chegou a nenhuma final enquanto a masculina obteve sua primeira medalha, com o ouro de Arthur Zanetti nas argolas.

O dirigente lamentou o fato dos brasileiros terem disputado menos finais do que em Pequim-2008 (35, em vez de 41) e afirmou ser preciso investir em modalidades com menos tradição em Olimpíadas para alcançar um melhor total no Rio de Janeiro. Apesar de os investimentos no esporte virem crescendo nos últimos anos, o resultado de 2012 foi semelhante ao de Pequim.
– Medalha não tem preço fixo – disparou Freire.

Agora, o foco é todo na Olimpíada do Rio. Além de supervisionar as instalações, o COB comanda o projeto esportivo – trabalho iniciado em 2009, quando o Brasil recebeu o direito de sediar o evento.
– Trabalhamos em conjunto com as confederações e com o Ministério do Esporte para oferecer as melhores condições aos nossos atletas – declarou Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB.

Entrevista:

Quando o superintendente-executivo do COB, Marcus Vinicius Freire, fala dos seus projetos para tornar o Brasil uma potência olímpica, ele o faz numa torrente, os pensamentos encadeados, lógicos, bem esquematizados. Com experiência no mercado financeiro, o gaúcho de Bento Gonçalves que foi medalha de prata em 1984 jogando vôlei assumiu a superintendência do COB em 2009, montou uma estrutura profissional e elaborou uma estratégia para o esporte olímpico. Confira, nesta entrevista, qual é:

Zero Hora – Qual é o planejamento do COB para a Olimpíada do Rio?
Marcus Vinicius Freire – Entrei no COB em janeiro de 2009. Em outubro, o Rio foi definido como sede da Olimpíada. Fizemos, então, um plano estratégico para colocar o Brasil no Top 10 em 2016. Isso significa que temos de ganhar pelo menos 30 medalhas. Mas nosso plano não é de ficar no Top 10 somente em 2016. É um projeto para ficar, é para 2020, 2024, 2028. Queremos deixar a máquina funcionando para sempre.

ZH – Como fazer isso na prática?
Freire – Fizemos estudos e descobrimos que os países campeões têm, em média, 13 modalidades em que ganham medalhas. Nós temos oito ou nove. Precisamos, então, fazer com que outras cheguem a esta condição. Estabelecemos metas que devem ser atingidas em cada modalidade.

ZH – Como essas metas são estabelecidas?
Freire – Dividimos as modalidades em quatro grupos: o grupo das vitais, que são essas oito ou nove em que ganhamos medalhas, como o vôlei de quadra e o vôlei de praia; o grupo das potenciais, que são as que têm possibilidades, como a ginástica; as contribuintes, que têm destaques individuais, como o boxe; e as do legado, que são as que não têm chance, como hóquei sobre grama, mas que não podem ser esquecidas. Conversamos com as federações e tentamos fixar metas e formas de alcançá-las.

ZH – Que formas são essas?
Freire – Tentamos ver o que é necessário para que a meta seja cumprida. Se temos que contratar técnicos de fora, se o atleta precisa fazer clínica no exterior, se temos que dar esse ou aquele tipo de apoio. Fizemos estudos nos países campeões e com os atletas campeões. Levantamos o histórico dos atletas e tentamos fazer um espelho com os atletas brasileiros. Por exemplo: qual é a idade média de um atleta medalhista? A partir deste estudo, vamos investir nos que possam atingir esse perfil.

ZH – Que estrutura o COB tem para viabilizar esses planos?
Freire – Temos um escritório de projetos. Fizemos um mapa estratégico para saber como atuar nesses quatro anos, quais são as prioridades, os custos, as possibilidades. Temos 130 pessoas trabalhando no COB, pessoas ligadas ao esporte, mas também do mercado, pessoas que entendem de matemática, de cálculo, de planejamento. O nosso software é o mesmo que o Brad Pitt usa naquele filme, “O Homem que Mudou o Jogo”. Montamos uma academia para preparar treinadores, para qualificá-los, estamos contatando atletas de ponta que já estão em fim de carreira, como a Maurren Maggi, o Emanuel e a Daiane dos Santos para ver o que eles querem fazer a partir de agora. Talvez possamos contar com eles também. Estamos atuando em todas as frentes para tornar o Brasil uma potência olímpica.

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Postado em 14 agosto 2012 07:48 por jeacontece
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