Cientistas descobrem dois genes relacionados a crimes violentos

A característica estava presente em 10% dos 900 criminosos finlandeses analisados em estudo de instituto sueco

Mais um estudo científico conclui que a genética pode estar relacionada a crimes violentos. Desta vez, a partir da análise de quase 900 criminosos na Finlândia, pesquisadores descobriram dois genes que ampliaram em 13 vezes as chances de a pessoa ter comportamento violento repetidamente.

Os autores também revelaram que 4% a 10% de todos os crimes violentos cometidos na Finlândia poderiam ser atribuídos a indivíduos com essas propriedades no DNA.

São dois genes: monoamine oxidase A (MAOA) e cadherin 13 (CDH13). O primeiro, relacionado ao controle dos níveis de dopamina e seratonina no cérebro. O segundo, conectado ao controle dos impulsos, abuso de substâncias e transtornos de déficit de atenção.

No entanto, em entrevista a BBC, Jari Tiihonen, um dos autores da pesquisa, ressalta que mesmo com esses genes somados a uma combinação de características que elevariam o risco de um indivíduo ter um comportamento violento, a maioria nunca comete um crime.

Segundo Tiihonen, cometer um crime muito violento é extremamente raro na população em geral. Mesmo que os genes elevem o risco relativo, o risco absoluto é muito baixo. O levantamento foi publicado por pesquisadores do instituto Karolinska, na Suécia, e publicado no Journal Molecular Psychiatry.

O consenso entre os cientistas é de que, embora existam cada vez mais estudos relacionando genética a comportamentos violentos ou crime, a capacidade mental de cada pessoa é determinada por fatores que vão muito além dos seus genes.

Uma preocupação dos pesquisadores é transformar este tipo de estudo em ferramenta judicial para elevar ou reduzir uma pena criminal. Já há casos de julgamentos na Itália e nos Estados Unidos em que advogados usaram o argumento dos genes atribuídos a seus clientes (no caso, pessoas violentas) e ele influenciou na decisão sobre a pena do indivíduo.

(Clcirbs)

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