Carazinho registra aumento de abusos sexuais tendo crianças e adolescentes como vítimas

Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente já registrou 17 casos este ano, e em todos os abusadores faziam parte do núcleo familiar da vítima

Em Carazinho, o ano de 2021 vem indicando uma tendência de aumento no número de ocorrências de abuso sexual que tem crianças e adolescentes como vítimas. Conforme a titular da Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente, delegada Heládia Cazarotto, em 2020 é provável que diante do cenário de pandemia tenha ocorrido subnotificação de fatos.

“Este ano em comparação com o ano passado notamos um pequeno aumento, mas que está dentro da média do que já havia sido constatado nos outros anos. Acreditamos que seja porque no ano passado, com a pandemia, menos casos chegaram ao nosso conhecimento. Até acredito que os casos tenham acontecido, mas não foram notificados. Muitos casos nos chegam pelas escolas, e sem aulas como no ano passado, ou em grande parte online, não teve este retorno, pois são aos professores que muitas crianças e adolescentes recorrem para contar o que aconteceu”, cita a delegada.

De acordo com a policial, em 2021, até o início da semana passada, 17 casos de crimes sexuais tendo crianças e adolescentes como vítimas tinham sido registrados na Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente de Carazinho.

No ano passado, neste mesmo período, tinham sido 14 casos, e em todo o ano de 2020 foram 23. Em 2019 durante o ano inteiro foram 27 registros. Uma característica dos crimes registrados neste ano, conforme a titular da DPCA é de que em todas as ocorrências, o abusador tem vínculos familiares com as vítimas.

“Normalmente o que a gente percebe é que é sempre alguém muito conhecido da família, ou até mesmo da família. Neste ano nós não tivemos nenhum caso de ninguém de fora do núcleo familiar. Todos os casos que chegaram até nós foram pessoas com quem as vítimas têm contato, pessoas que as vítimas confiavam e que acabaram cometendo estes crimes. Não tivemos nenhum caso que uma pessoa de fora, ou estranho, por exemplo, ter sido o autor”, comenta a delegada.

A policial faz um apelo para que as famílias tenham atenção ao comportamento de suas crianças e adolescentes e comenta que acredita que é provável que no decorrer deste ano, situações de abusos ocorridas em 2020 ainda venham a ser comunicadas a polícia.

“O dado nos preocupa e pedimos para que os familiares notifiquem qualquer comportamento estranho por parte de crianças e adolescentes, que os pais mantenham uma conversa aberta, diálogo com os filhos para que eles tenham confiança em relatar qualquer coisa neste sentido. No ano passado, em razão de ter sido um ano em que as pessoas ficaram mais em casa, a gente acredita que tenha até acontecido mais casos do que foram notificados, mas não chegaram ao nosso conhecimento. Este ano nós já tivemos registro de professores em aula online que tiveram alunos que entraram em contato para relatar o que aconteceu em casa. Acreditamos que coisas que aconteceram no ano passado possam nos vir ainda neste ano”, comentou a delegada.

Diário da Manhã

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