CARAZINHO – De lata ou de 4 patas? Município pode avançar na questão animal

Não são poucas as ocasiões em que a Rádio Gazeta recebe reclamações, denúncias, referentes aos cavalos usados em carroças na cidade de Carazinho. São catadores de material reciclado que percorrem as ruas recolhendo dos contêineres e lixeiras o que pode ser aproveitado.

Porém, muitas dessas pessoas já aderiram ao chamado ”cavalo de lata”, aquela estrutura feita de ferro que é conduzida pelo próprio catador. Já foi vista nas ruas também adaptação com uma bicicleta acoplada. Em ambas as formas, a ausência do animal é tida como apropriada principalmente para melhores condições de trafegabilidade.

A reportagem foi às ruas nesta sexta-feira (15) ouvir o que pensam esses trabalhadores.

De um lado, Marco Antônio (foto à esquerda), que usa o cavalo de lata. Vai completar 66 anos em 24 de janeiro, mesmo dia de aniversário da cidade. Contou que há 20 anos é catador, percorre uns 8 km por dia recolhendo plástico, papelão, vidro, lata, e que vale a pena. Para ele, os cavalos tem que sair das ruas, porque ”tiram o lugar dos carros e atrapalham o trânsito”. Diz que ouve das próprias firmas reclamações sobre os cavalos, que sujam e atrapalham. ”Reclamam pra mim e eu digo: não tenho cavalo, eu tenho carrinho, e então dizem que tudo bem, e dão o que tem pra levar”.

De outro lado, Jesus Pinheiro (foto à direita), 51 anos, que usa o animal (cavalo). Disse que é catador há mais de 30 anos, a família tem 8 pessoas que vivem do material reciclado. Com a carroça percorre a cidade duas vezes por dia, manhã e tarde. Acha que nunca vão tirar os cavalos das ruas. ”Isso nunca vai acontecer, de onde vão (as pessoas) tirar o alimento, daí quem é que vai sustentar o papeleiro?”. Tem três cavalos. Um deles, o que estava na carroça no momento da entrevista, foi visto caindo na sinaleira da avenida Flores da Cunha com a Antônio José Barlete na manhã do dia 07 de janeiro, em fato relatado para a reportagem por motoristas que presenciaram a cena e confirmado por Jesus. Disse que o cavalo não caiu porque estava doente ou cansado, mas que resvalou, não se machucou.

A reportagem da Rádio Gazeta já havia tratado do assunto com a prefeita em exercício, Valéska Walber, que esteve reunida com representantes da causa animal, tendo, na pauta, a questão dos cavalos. Segundo ela a circulação de animais em algumas ruas do município é considerada pela Administração um problema antigo e sério, que está acompanhando para encontrar a solução. Valéska informou que foi encaminhado à câmara de vereadores, ainda em 2020, um Projeto de Lei Complementar nº 002/20, que altera a lei do Código de Posturas em relação aos animais de grande porte, e que conversou com as comissões nas quais o projeto tramita pedindo a priorização da pauta.

Conforme o Projeto que está para ser votado, fica previsto:

A vedação da circulação de veículos de tração animal em vias públicas no município; proibida a permanência de animais de grande porte em vias públicas sob pena de multa; os proprietários dos animais aprendidos terão o prazo de até dez dias para reclamarem a posse dos animais, mediante a restituição de custos decorrentes da apreensão, além da multa; caso passe do prazo previsto, os animais serão colocados para adoção, com preferência às instituições de proteção animal ou particulares credenciadas.

A prefeita em exercício confirmou na entrevista a vontade pela implantação do projeto Cavalos de Lata, que faz parte do plano de governo, e visa substituir os cavalos por bicicletas de cargas, adaptadas às carrocinhas dos catadores. ”Queremos organizar soluções para os próximos meses, não temos politicas publicas resolutivas, precisamos somar esforços do que já deu certo nos outros lugares porque é uma demanda mundial, crescente, preocupante. Uma causa de saúde pública e humanitária, a gente precisa se colocar no lugar dos bichinhos que não tem vez nem voz”.

Grupo Gazeta

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