Badesul esgota oferta de crédito em 10 horas

Se alguém tinha alguma dúvida do apetite – ou, melhor, da necessidade -, do dinheiro do Pronampe, crédito com juro mais baixo e com fundo garantidor federal para cobrir riscos, basta ver a demanda para o Badesul. Banrisul, Badesul e Sicredi abriram a operação.

A agência de fomento gaúcha abriu na quarta-feira (15) a linha. O volume de pedidos esgotou o limite de R$ 43 milhões em 10 horas. O Banrisul registra demanda por R$ 330 milhões até esta sexta-feira (17).

O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte atende micro e pequenas empresas atingidas pela crise da pandemia.

“Entre as 8h e as 18h, período em que o link do Pronampe ficou aberto para cadastro, superamos a captação que disponibilizamos, com mais de 326 empresas cadastradas. Dessa forma, tivemos que desativar o link”, informou o superintendente comercial do Badesul, César Cardozo, nesta sexta-feira (17).

O superintendente comercial adianta que, diante da demanda surpreendente em pouco tempo, a diretoria de planejamento já analisa se poderá ser ampliado o teto, o que depende de autorização pelo Banco do Brasil, que faz a gestão do programa e uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO).

O Badesul vai dar garantias com recursos próprios na parte dos financiamentos que não será coberta pelo FGO, que abrange 80% do total emprestado. Os pedidos totais chegaram a R$ 83 milhões, informou Renata Freire, superintendente de Controladoria e Planejamento. A instituição havia obtido teto inicial de R$ 30 milhões, mas conseguiu ampliar para R$ 43 milhões. Renata explica que, depois da análise e contratação, será analisado se mais recursos poderão ser solicitados.

A superintendente informa que teve muita demanda do setor de turismo, como hotéis, restaurantes e transportes, setores muito abalados pela crise, áreas que não conseguem crédito tradicional pela dificuldade de garantias, observa Renata. “Poucas conseguem crédito. Para as pequenas, o Pronampe é o programa mais eficiente e rápido”, ressalta ela. A média do valor solicitado ficou entre R$ 100 mil e R$ 200 mil.

Outro detalhe é que a maioria dos pretendentes é de novos clientes, que não têm relação ou histórico de outros tipos de contratações com a agência. Isso reforça a aposta da instituição ligada ao governo gaúcho de apostar na linha para ampliar a atuação, entrando em segmentos e tamanho de negócios que não são alcançados, pois as linhas costumam ser para investimento.

Cardozo havia informado ao Jornal do Comércio que o Badesul via no Pronampe a chance de aportar o recurso de giro, para a manutenção das empresas, que, passada a crise sanitária, poderão precisar e buscar recursos para ampliar operações e outras necessidades.

Esta semana também o Banrisul começou a operar o programa. O JC solicitou informações de como está a Demanda e disponibilidade de recursos. Até a semana passada apenas Banco do Brasil e Caixa estavam ofertando a linha. O Sebrae-RS e empreendedores ouvidos reclamavam da pouca oferta por bancos.

A cooperativa de crédito Sicredi também já opera, segundo painel com os dados do Pronampe até essa quinta-feira (16). Agora são oito instituições, sendo três gaúchas. O Itaú é o único banco privado que oferta a linha. Os maiores operadores são o BB e a Caixa, que somam mais de R 10 bilhões dos R$ 15,4 bilhões contratados. O total geral é de 178 mil contratos.

O Estado está em quarto lugar na captação, ultrapassando R$ 1 bilhão e 14,1 mil contratos, com dados até essa quinta-feira. O número deve ser maior com as operações desta sexta-feira. O Sicredi soma R$ 1,6 milhão em 28 contratos.

Em nota, o Banrisul informou que atingiu demanda de R$ 330 milhões, sendo que 5,3 mil propostas estão em análise, somando R$ 227 milhões, e 2,2 mil operações já foram contratadas, envolvendo R$ 103 milhões.

O presidente do Banrisul, Cláudio Coutinho, destacou, na nota, que o Pronampe atinge “uma parte das empresas que sofrem com a pandemia e não possuem garantias para acessar crédito no mercado”. “O banco está mobilizado para atender o maior número possível de empresas gaúchas”, garantiu Coutinho.

Jornal do Comércio

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