Autossuficiência brasileira pode tirar produtor das mãos de multinacionais

Injeção de recursos na área de pesquisa e reestruturação da atividade podem dar condições para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) chegar à autossuficiência na produção de biotecnologias para atender a agricultura brasileira. É o que aponta o diretor-presidente da entidade, Pedro Arraes. Atualmente, boa parte das tecnologias são oferecidas por multinacionais.

“Vamos precisar de mais recursos sim, mas o mais importante é saber o papel que tem que ser desenvolvido”, disse na sexta-feira (6) em Sinop (MT), a 503 quilômetros de Cuiabá, onde acompanhou a solenidade de inauguração da Embrapa Agrossilvipastoril, mais novo centro de pesquisas do Brasil.

A fala do presidente da Empresa surge em meio às cobranças do setor produtivo por mais autonomia para a Embrapa e oferta de biotecnologias para o setor produtivo brasileiro.

Produtores falam em estarem reféns das multinacionais. “Empresa pública precisa de investimento. Não pode só ficar em uma estrutura bonita, mas sem recursos. Se tiver dinheiro vai dar mais segurança para o produtor que hoje fica refém das multinacionais”, diz Carlos Fávaro, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).

À frente da entidade que congrega produtores de duas das mais importantes culturas agrícolas do estado, Carlos Fávaro fala maior eficiência para o produtor. “É muito mais importante falar em ter uma tecnologia própria, eficiente e que garanta eficiência ao produtor rural brasileiro”, comentou.
Senador da República por Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), diz que os parlamentares estão dispostos a cobrar do Governo Federal destinação maior de recursos para a Embrapa. Pressão que deve crescer neste segundo semestre do ano.

“A biotecnologia hoje está dominando as grandes produções. Só será possível se tivermos uma Embrapa forte com técnicos especialistas na área. Requer gente, conhecimento e recursos. Embrapa hoje faz transgenia, mas está atrás das multinacionais”, frisou.

Cobranças que podem surtir, no entender de Maggi, em uma maior independência da Empresa Brasileira de Pesquisa. “O país não pode ficar atrás e colonizado através das biotecnologias. Mas para ser independente é preciso investir”, citou.

Recursos extras
Presidente da Embrapa, Pedro Arraes diz que nos últimos anos a empresa recebeu um aporte de recursos, especialmente por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-Embrapa), ainda em 2008. O volume destinado à pesquisa agropecuária chegou a R$ 914 milhões, segundo o Governo Federal. Desse montante, R$ 650 milhões para serem investidos diretamente na Embrapa e outros R$ 264 milhões destinados às Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária (OEPAs), que integram o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA).

Arraes é enfático e afirma que o PAC Embrapa “salvou a empresa”. “Tivemos problemas montando as unidades e houve uma diminuição do governo em recursos. Estávamos com problemas de infraestrutura, laboratórios e centros. Hoje conseguimos recuperar 85% de todas as unidades com laboratórios modernos”, afirmou ao Agrodebate.

Mas ele lembra o alto custo para desenvolvimento de pesquisas. “Pesquisas são caras e insumos também. Atualmente, o orçamento da Embrapa é condizente e dá condição para viabilizar as pesquisas”, concluiu o dirigente.

Agrodebate..

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