Acende o sinal amarelo para a economia brasileira

Não sei se seria bem esse o título do artigo de hoje ou se caberia melhor algo tipo “só agora estamos vendo o quão delicada está a situação nas contas públicas do Brasil”. O principal fundamento baseia-se na influência das manobras para tentar estagnar as contas negativas nos balanços públicos e privados de diferentes setores.

A ponta do iceberg está podendo ser observada nos últimos dias. O desempenho da Petrobrás em 2012 foi o pior dos últimos oito anos. O balanço da empresa não animou nem um pouco os acionistas que fizeram com que o preço da ação despencasse.

O motivo de toda essa turbulência concentra-se em dois principais fatores: a valorização do dólar perante o real e a necessidade, cada vez maior, da importação de combustíveis.

A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), somada com a capacidade de financiamentos e de captação de empréstimos muito facilitadas e o aumento do poder aquisitivo da população, fizeram com que a frota nacional aumentasse muito e a oferta de combustíveis ficou restrita devido à demanda. Com isso, necessitou-se adquirir o produto no mercado internacional.

Isso implicou em um resultado nada animador no final do ano comercial.

Assim, anunciou-se um aumento nos preços nas distribuidoras e quem pagará a conta é o consumidor final. Vale lembrar, que a carga tributária, que é o que mais implica em custos no produto, não foi modificada, portanto, o governo continua ganhando a parte dele.

Parece que a maravilhosa notícia no corte dos preços da energia elétrica foi encoberta e, infelizmente, reconstituída pelo aumento nos preços dos combustíveis.

O jogo de empurra-empurra nas contas governamentais preocupa também os investidores que colocam menos dólares no país. Com isso a moeda norte-americana segue valorizada.

Isso tudo beneficia as exportações. Grande parte do setor agrícola vê aí a chance de tirar o prejuízo de anos anteriores. O mercado da soja, principalmente, encontra uma demanda maior e pode ser liquidado tanto internamente (indústrias de biodiesel) quanto externamente (grão, óleo, farelo) para diversos destinos.

O milho também teve seu aumento escorado no mercado internacional. Estoques baixos e demanda alta fizeram com que vários países viessem buscar o grão aqui no Brasil para suprir sua demanda.

Portanto, uma coisa é certa. Medidas pontuais e tímidas não serão suficientes para retomarmos o caminho do crescimento acelerado. É preciso muita ousadia e perspectivas de futuro para não ficarmos a mercê do desenvolvimento da economia mundial. O sinal amarelo está ligado e parece que já faz tempo.

JOÃO PEDRO CORAZZA
Gerente Comercial de Negócios de Commodities da Agroinvvesti

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