A Tapera dos bons tempos

Esta foto é muito bonita e retrata um bom e belo tempo vivido aqui em Tapera (RS). Ela deve ser do final dos anos 60 e inicio dos 70. Eu vivi este tempo.

Nela pode ser vista a beleza e a majestade da Igreja Nossa Senhora do Rosário da Pompéia, em estilo neoclássico e que neste ano completou 80 anos. Tapera comemorou 57 anos como município em 28 de fevereiro. À esquerda dela aparece a antiga residência dos Dallanora, na esquina, e o antigo prédio da Foto Modelo do saudoso Adão Pesenti, o fotografo de todos nós. À direita da Igreja, aparece a antiga Casa Canônica, onde quando criança, nós coroinhas nos reuníamos nas sextas-feiras, no final da tarde, para decidir quem ajudaria os padres nas missas do final de semana e ainda acertar o futebol no recém construído Tenarião, nos sábados pela manhã. Imagine 30, 40 meninos jogando futsal, divididos em dois times. E ao lado da Canônica aparece o prédio que servia de morada para as Irmãs do Hospital Roque Gonzalez, e do lado deste, uma parte do Hospital.

Mas, na foto duas coisas chamam atenção: a beleza dos labirintos da Praça Central, então Olavo Bilac; e a Vila Progresso, hoje um bairro nobre da cidade, com algumas casas e rodeada por lavouras.

Vendo a Progresso na foto ainda, a única casa de existia naquelas imediações era a dos Bratz. Antes dela havia a dos Würzius, que está encoberta pela Igreja.

Na Praça Central me faz lembrar os ciprestes que foram cortados porque o pessoal “aprontava” à noite, sendo que alguns fugiam da aula para isso. Nada muito diferente do que acontece atualmente. Era outra época de Tapera, muito gostosa, que muitas pessoas e gerações viveram. A nossa Praça tinha um encanto, um charme.

Aqueles labirintos da Praça Olavo Bilac, atual Dr. Avelino Steffens, eram lindos, assim como as calçadas com aquelas pedrinhas portuguesas, brancas e pretas, cortadas em formato de losango. Se tivessem mantidos os ciprestes e apenas podados por baixo e aumentado a iluminação, hoje Tapera teria uma das praças mais bonitas do Estado. E aquelas calçadas eram igualmente bonitas, diferentes.

E duas coisas na foto me fazem recordar daqueles bons tempos. Os bancos de concreto, patrocinados por empresas locais, colocados ao redor da Praça, onde a gente sentava nos finais de tarde e de semana, no seu encosto e com os pés onde se sentava, para ver o movimento, mas principalmente as meninas subir e descer a Avenida XV de Novembro. E volta e meia alguém, com dinheiro, corria até o Café Diana, do Arno Presser, para pegar picolés. Também, aquela placa na entrada na Praça, bem em frente à Prefeitura velha, do alistamento militar. Eu gostava de atirar pedras de bodoque nela para ouvir o barulho que dava e que era ampliado (eco) pelos prédios da Igreja, Hospital e Prefeitura. Alguém sempre reclamava. Como hoje. Atualmente, o barulho no centro é de som com o volume nas nuvens, algo que nós nem sonhávamos há 40 anos.

E, na foto, que deve ter sido tirada de cima da Prefeitura velha, quem seriam o homem e o menino conversando na calçada, na entrada da Praça?

Fábio David Crestani
Jornalista – Editor do JEAcontece e do Blog do Sarico (www.blogdosarico.com)

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