A PEDIDO

ARGUMENTOS QUE LEVAM A RETIRAR-ME DA FUNÇÃO DE PREFEITO PARA CONCORRER A VEREADOR-2012

Antes de qualquer colocação, por tratar-se de um assunto interesse de todos, e, por isso mesmo, certamente muito importante, cabem fazer algumas ponderações preliminares, com o intuito de repassar aos cidadãos selbachenses, com toda transparência possível, o conteúdo em pauta, para poderem assim entender com claridade a minha decisão de sair do meu cargo de Prefeito para concorrer a vereador. Até porque é uma obrigação minha:

Em primeiro lugar: Eu fui o Prefeito do Município de Selbach, escolhido de forma democrática pela população, e, portanto, com o compromisso de expor ao público as razões que levam a minha definição.

Em segundo lugar: Se fui Prefeito, exerci uma função política, e aqui cabem duas observações muito importantes: Para mim, a política é uma coisa muito séria, por isto deve ser levada em conta com seriedade por aqueles que a militam. Outra observação que deve ser levado em conta é o fato de eu gostar da política, certamente por ter tido uma formação de vida que sempre se inclina a assumir e exercer funções que atendam o interesse público, porque isto me faz bem e, com toda certeza, faz bem à sociedade selbachense.

Em terceiro lugar: esta definição já se concretizou há muito tempo, tanto que a grande maioria da população já sabe desta possibilidade, portanto, é uma conclusão convicta, baseada numa análise cuidadosa e profunda em ponderações de muitas pessoas, além de considerar o aspecto pessoal e a concordância do grupo que compõe o partido. Quer dizer, a definição deu-se de dentro para fora, de mim para a liderança do partido. E é bom que se registre que o partido também há muito tempo já discutiu esta possibilidade, e há muito tempo já sinalizou a opinião positiva, especialmente porque tem a segurança de que o Vice-Prefeito Alcir e seu grupo continuará a administrar o Município com seriedade, considerando que o Vice-Prefeito Alcir já foi por duas gestões vereador e por duas gestões vice-prefeito, de cuja experiência lhe dá o aval de continuidade tranquila.

Portanto, assim está formatada a definição: o Prefeito Rudi Seger, sim, vai se retirar da Administração, porque quando um prefeito, no meu caso específico, quer concorrer a vereador, precisa afastar-se por lei seis meses antes da eleição. Certamente há quem questione: por que defini concorrer a vereador para as próximas eleições? Repito, porque, antes de tudo, eu gosto, e acrescento que naturalmente pensei muito em mim como pessoa humana, que tem a obrigação planejar o seu futuro, nem que isto custe um sacrifício. Digamos, de forma figurada e com uma alta dose de humildade, que um Prefeito, dentro de uma sociedade, por mais que se identifique com o seu povo, por mais que tente ser simples, está colocado no topo de uma escada, portanto, lá em cima, não para mandar, mas para cumprir a função de um Prefeito que tem a missão de contribuir, através de sua forma de ser e com muito trabalho, com muito sacrifício, mas sempre com muita disposição, dia e noite, por sete anos e três meses, o incessante cumprimento de representante do seu povo.

Como é que, se assim o é, vou descer desta escada? Aqui levo em conta a prevenção do meu futuro estado psicológico. Isto é, se me jogarem para baixo, vou certamente me machucar. Se eu pular para baixo, certamente também vou me machucar. A conclusão é lógica: para não correr o risco de uma ruptura do meu estado emocional, assim como já aconteceu com tantas outras pessoas, não necessariamente na área política, tenho a absoluta convicção de que devo descer inteligentemente devagar assim como subi. Nem que seja “de ré”. E assim, sair agora, descansar um pouco e depois me colocar à disposição do partido para as próximas eleições.

Um aspecto torna-se importante mencionar: saio agora, para tentar continuar, cuja decisão não se define como um simples abandono, ao contrário, a firme definição de tentar continuar, pautado numa Lei Eleitoral. Estou tão convicto de que a minha decisão é correta, a ponto de ter em mim também a certeza absoluta de que o povo aprova a minha decisão, exceto, e é natural isto, de quem tem um suposto interesse político. Sublinho que até me sinto muito orgulhoso de tomá-la, porque são poucos os prefeitos que teriam a humildade e a coragem para fazer isto, sem considerar que, hoje, a grande maioria de prefeitos que sai, projeta cargos maiores, como deputado, assessor de algum deputado, alguma função pública em esferas de um escalão maior, etc. Aliás, convites não têm faltado. Mas eu quero viver a vida aqui na minha terra, com meus amigos, com a minha família com tranqüilidade, ou como professor que sou, ou na área política, dependendo de resultados eleitorais, ou talvez em alguma outra atividade relacionada, se possível, às áreas da educação ou à literatura, mas sempre em volta das flores que são o exemplo mais cristalino de preservação da cultura e da evolução da humanização da cidade e de todas as residências.

Por último, resta-me agradecer ao povo a confiança que sempre em mim depositou e o respeito com que sempre me tratou. Agradeço a todos os Secretários, Coordenadores e funcionários pela contribuição e pelos significativos momentos de uma convivência saudável. Agradeço muito a Deus pela saúde, pela perseverança, pela paciência e pela fé de desenvolver uma função de tanta responsabilidade, até porque me sinto um homem feliz e privilegiado de ter podido dar a minha contribuição no desenvolvimento do nosso Município, portanto, com o dever plenamente cumprido dentro das minhas limitações e as limitações da estrutura da Prefeitura. Sou um eterno obstinado em continuar a conviver com as pessoas da minha terra, independente de futuros resultados políticos, compreendendo de que na vida da gente, a gente tem que assumir a vocação que Deus nos deu. Em termos mais objetivos: caminhar conforme o perfil que se tem. Acrescento que sempre tentei ser prefeito de todos, sem distinção de raça, sigla partidária, religião ou condições sociais. Tem quem diz que nós fizemos muitas coisas. Tem quem diz que no começo fazíamos muito e nos últimos anos pouco. Confesso que do ponto de vista pessoal, conseguimos fazer muito mais do que nós próprios imaginávamos quando assumimos a Administração. Coloco, por exemplo, que agora, estamos em andamento com a grande obra da creche, que é uma obra extremamente importante, que acolherá certamente criancinhas por séculos; estamos fazendo o calçamento da Selbach V, que é a vila que acolheu os pobres excluídos, entrincheirados por aí em aluguéis; acabamos de fazer o recapeamento da Vila União; compramos a recém um micro-ônibus novo para a área da educação, que será utilizado por muitas crianças e jovens; e, nestes meus últimos dias conseguimos assinar um convênio co Estado que visa trazer uma ambulância nova, que levará muitos pacientes em casos emergentes. Uma ambulância tem para mim a intensidade de valor maior do que qualquer outra obra. Paralelamente, continuamos dando enorme atenção à saúde, à educação, às obras e às questões sociais, dentro das atribuições inerentes a uma Administração Pública. Entendo que opiniões, distorcidas ou não, são de direito de todos, e para quem militou um bom caminho na política, sabe que fazem parte, especialmente num ano de eleições. Isto faz parte. Para mim, o importante agora é a consciência de que tudo o que fiz, fiz o melhor possível e sempre com alegria e satisfação, e, assim como também, a convicção de que o povo em geral, o povo mesmo, tem consciência disto. Em mim sinto uma certeza consumada de que a grande obra da minha vida de prefeito foi a de cultivar sempre o respeito e as boas relações de amizade, o que certamente caracteriza a minha administração que sempre procurou investir na humanização da nossa sociedade. A bem da verdade, um líder jamais deve se vangloriar ao assumir a paternidade de uma suposta modificação de uma sociedade. Isto deve ser um dever inerente à função de um líder, e, se assim não o for, será apenas um impostor passageiro, que pensa ser o dono de uma verdade no mínimo duvidosa. Uma sociedade somente evolui amparada na sua cultura, que compreende a boa índole como essência de ser. Nós, líderes, somos apenas aqueles que têm o dever de sermos exemplos das boas relações e do trabalho, para que o processo de evolução aconteça de forma natural, através de uma condição favorável. Em outras palavras: eu sei que o povo mudou, mas não por causa de mim. É conclusivo que o ser humano nasceu para conviver em harmonia uns com os outros, independente de suas diferenças individuais. A minha satisfação maior consiste em ter demonstrado ao povo o meu respeito e a minha amizade, tendo dado sempre a mão a todos os munícipes, alguns em inúmeras vezes. Peço perdão se de uma forma ou de outra ofendi alguém, assim como perdôo a quem supostamente pense que me ofendeu. Supostamente porque em mim não existe lugar para a manutenção de qualquer tipo de ódio e de rancor.

E, para finalizar, vou resumir tudo o que foi colocado acima: saio agora, para continuar. Sempre pedirei a Deus que dê saúde e paz a minha família, aos meus familiares e ao povo de Selbach, cuja oração fiz todos os dias, por sete anos e três meses da minha vida. Um abraço fraterno a todos!

Rudi Seger

SELBACH, março de 2012

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“Se o homem não sabe para que porta se dirige, nenhum vento lhe será favorável”(Sênica)

Pautado neste pensamento, venho comunicar que, a partir do dia primeiro de abril de 2012, deixo o cargo de Prefeito Municipal de Selbach, com o propósito de concorrer a vereador no pleito do mesmo ano.

De forma simples eu resumo a minha decisão: Saio para tentar continuar. Apóio-me nesta definição em dois aspectos chaves: eu gosto de política e a Lei me dá este direito. Eu, por sua vez, tenho a convicção absoluta que esta é a porta que devo abrir.

Isto posto, quero manifestar do fundo da minha alma meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que compartilharam destes sete anos e três meses desta maravilhosa obra que é ser Prefeito da sua cidade.

Por fim, desejo que a saúde seja fator de sucesso e bem-estar a todos.

Abraços!

Rudi Seger
Prefeito Municipal

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