A cruz de Cristo e a misericórdia

Postado em 19 março 2016 06:59 por jeacontece
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A proximidade da celebração da paixão, morte e ressurreição nos faz ver a grandeza da misericórdia que Deus revelou a nós no seu Filho, o Crucificado-Ressuscitado. São sempre atuais as palavras do profeta Zacarias, retomadas por São João: “olharão para aquele que traspassaram” (Jo 19,37). Será sempre um olhar humano, portanto limitado, que contempla a manifestação do ser mais profundo de Deus, seu amor misericordioso. Por isso, precisamos do “olhar da fé”, para, sem ignorarmos os fatos, vermos neles a redenção da humanidade, pura obra da graça.

Na cruz, aquele que “passou fazendo o bem e curando a todos” (At 10,38), mostra-se agora Ele próprio, digno da maior misericórdia. “Ele não tinha beleza e nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar. Era desprezado e abandonado pelos homens, homem sujeito à dor, familiarizado com o sofrimento, como pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado, nem fazíamos caso dele.” (Is 53,2-3). Como que suplicando misericórdia, convida os discípulos a vigiarem com ele (Mt 26,28) e, ao Pai, pede para, “se possível, que passe de mim este cálice.” (Mt 26, 39). O Paimantém-se fiel em seu amor misericordioso, “pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16). Não lhe é, porém, poupado o sofrimento.E não encontrou quem dele tivesse misericórdia! Por isso, a cruz fala do pecado, da falta de justiça e misericórdia da humanidade, da indiferença diante do sofrimento inocente, da violência que tira a vida de pobres, crianças e jovens. Infelizmente, também hoje, como com Jesus, “nem fazíamos caso dele.” (Is 53,2).

A vida, as palavras e atitudes de Jesus sempre foram misericordiosas. Mas, nenhum outro momento da vida de Jesus tocou mais profundo a miséria humana do que na sua cruz. Ele “foi maltratado, mas livremente humilhou-se e não abriu a boca” (Is 53, 7). Sua fidelidade e seu amor foram até o fim (cf. Jo13,1). Oferece a si mesmo, a sua vida, como sacrifício expiatório (cf. Is 53, 10), e “levou sobre si o pecado de muitos” (Is 53,12). Sua misericórdia perdoa sempre. “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem.” (Lc 23,34). Por isso, disse S. João Paulo II: “A cruz é como que um toque do amor eterno nas feridas mais dolorosas da existência terrena do homem” (Dives in misericórdia, 8). No simbolismo do “sangue e água”, que brotam do coração traspassado do crucificado, a misericórdia de Cristo continua na sua Igreja através dos sacramentos, principalmente do Batismo e da Eucaristia.

Enfim, a cruz de Cristo não é somente manifestação da misericórdia divina, mas também, apelo aos cristãos a viverem a misericórdia e a doação de si.O estilo de vida do Nazareno, impregnado de misericórdia, torna-se o modo de ser e viver dos seus discípulos. Terão sempre diante de si, à luz da Ressurreição, a cruz e o Crucificado, pois nela a revelação do amor misericordioso atinge o ponto culminante. “Quem ama deseja dar-se a si próprio.” (S. João Paulo II, Dives in misericórdia, 8). Os cristãos são convidados a tocar as chagas do Crucificado, não ter medo de tocá-las.

Vivamos todos cada dia da Semana Santa com intensidade. Participemos integralmente, em nossa comunidade, das celebrações do Tríduo Pascal.

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta

Postado em 19 março 2016 06:59 por jeacontece
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