Ano novo, tempo novo

O que sonhamos para 2021? No dia 01 de janeiro saudamos as pessoas com um solene: “Feliz Ano Novo”. Iniciamos um novo caminhar, com tantos projetos e esperanças. Ainda estamos vivendo a pandemia do Coronavírus, porém ouso dizer: não deixemos de sonhar, de crer. Isto significa um modo de viver. Nada deve ser deixado de lado nestes dias, pois o ano novo é, sobretudo, um tempo novo. Será novo se pudermos colocar em nosso caminhar os aprendizados do ano que se findou, sobretudo pela pandemia. Quando fomos todos colocados em nossas casas, logo dissemos: devemos nos amar mais e conviver melhor. Também, precisamos colocar em prática os ensinamentos básicos da nossa vida, como a bondade e a misericórdia, com as pessoas com as quais nos relacionamos. Ainda, precisamos nos cuidar mais. Cuidar significa assumir responsavelmente nossa vida, não ser displicente diante dos fatos, das situações. Cuidar de si mesmo e dos outros com os quais vivemos. Sempre cuidar de tudo e de todos, pois o mundo em que vivemos não se resume em cada um de nós, mas nós somos parte de uma “grande família” (Papa Francisco), onde cada um está ligado aos demais. Todos nós somos um, únicos, em Cristo. Ninguém é melhor ou mais importante do que o outro. Cada um é, exatamente, o mesmo, especial, amado por Deus, que veio a este mundo para ter um lugar, um espaço e ser feliz.

Sonhamos um ano de paz! Nosso Papa nos recorda que esta construção é cotidiana e não significa que ela exista simplesmente porque não estamos em guerra. Ela precisa ser construída desde o coração humano, sempre. Aí, sim, haverá lugares de paz, a partir de pessoas apaziguadas. Olhemos para nosso interior para ver se sabemos amar a todos. As ideologias não constroem a paz e nem uma sociedade justa para todos. A paz, porém, é fruto de uma vida familiar bem construída, bem trabalhada. É fruto de um mundo reconciliado, como consequência do perdão de Deus. A superação do individualismo consumista é urgente. Sem este, não há paz! Porém, não de menos, a injustiça clama por uma voz que se ergue para dizer o que não está certo. Só haverá paz quando superarmos nossos preconceitos raciais e as diferenças que temos das classes sociais. Sonhamos que um dia nosso povo irá compreender que todos somos uma única família e, por isso, com dignidade e possibilidade de sermos todos “filhos e filhas”. Lembremos das palavras de Jesus: “eis que eu estou convosco todos os dias” (Mt 28, 20).

Sonhamos um mundo com sentido para viver! Nossa vida de fé é uma fonte inesgotável de sentido para nossa vida. Somos felizes porque olhamos para o Crucificado-Ressuscitado e, nele, nos reconhecemos. Nele aprendemos o que significa tomar a cruz a cada dia e seguir os seus passos. Em Cristo, contemplando-o todos os dias, na sua Palavra, vemos o valor de uma vida que se faz pequena, se entrega, não revida, não busca seus interesses, não procura aparecer, mas somente amar. “Ele que tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). E mais ainda, que não caminhamos “com os olhos para baixo”, mas “com os corações ao alto”, na certeza de que em Cristo tudo tem um sentido e uma plenitude, que um dia nos acolherá consigo. Claro, nem todos tem este sentido para suas vidas. Há outras fontes de sentido, outras religiões, a quem respeitamos, e até quem queira construir sua vida sem religião. Mas nossa meta é esta: “por Cristo, com Cristo e em Cristo”.

“O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!” (Nm 6,24-26). Feliz e abençoado Ano Novo!

Dom Adelar Baruffi – Bispo da Diocese de Cruz Alta