Sentido espiritual de nossa Catedral

Abençoamos e dedicamos uma grande e significativa obra diocesana, nossa Catedral Divino Espírito Santo. A Catedral tem um significado único numa Diocese. Ela existe porque existe a Diocese. É o lugar que identifica uma Diocese. Criada junto com a Diocese, representa o lugar, desde o qual, o bispo diocesano realiza suas principais funções litúrgicas. Nela todo o povo se sente na comunhão diocesana. Por isso, como já se disse, lá está a cátedra, com seu brasão episcopal. Está ligada à Diocese também porque nela temos a cripta, onde os bispos diocesanos que o desejarem, podem ser nela sepultados. De fato, toda comunhão que formamos na Igreja Católica tem uma dimensão espiritual, que se baseia na fé professada, celebrada e vivida na caridade, mas, também, uma dimensão visível, palpável, dos ministérios com os quais a Igreja se organiza.

A beleza é parte da liturgia. Não é a única e nem deve ser a mais importante de nossa vida cristã, pois a caridade com as pessoas sempre é a mais importante. Inclusive, a própria beleza artística litúrgica só tem sentido quando ela serve de catequese, que conduz as pessoas a Cristo e, desde este encontro eucarístico, enviados em missão. A Catedral é dedicada ao Divino Espírito Santo, nosso padroeiro. Um vitral iluminado está colocado sobre o presbitério. Dele parte toda a ação da Igreja, que constantemente atualiza e renova o mandato de Cristo. A Trindade Santa, o Pai, com o símbolo de sua mão, o Espírito Santo, no vitral, e o Filho, temos a origem, o modelo de comunhão e o fim de toda a Igreja. O caminho por onde nos dirigimos para celebrar inicia na pia batismal, no início do corredor, caminhando sobre os símbolos dos apóstolos, nosso fundamento seguro, até o altar, símbolo principal na celebração eucarística. Com os apóstolos e com toda a Igreja nos reunimos sempre. A grande figura é Cristo, Ele é o centro de nossa fé. A Ele queremos seguir e sermos seus discípulos. Nosso olhar se volta para Ele. Ele próprio, acolhe e envia os apóstolos, que estão abaixo na pintura, juntamente com Maria, a Mãe da Igreja. Isto porque não existe Igreja Católica sem Maria e sem os apóstolos. Desde aquele dia da cruz do Senhor, a mãe de Jesus é nossa mãe também, como ouvimos no evangelho: “E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19,23). No dizer de Bento XVI, o significado é que a Igreja “a tomou consigo”, portanto, não há fé cristã sem a presença de Maria. Ela está um degrau acima, na pintura, em relação aos apóstolos. Os apóstolos e nós todos somos enviados em missão pelo mundo, com a Palavra, para sermos evangelizadores no tempo presente.

A Santíssima Eucaristia está custodiada, com dignidade e com um lugar especial para a oração dos fieis, na capela do Santíssimo. Este é um lugar de oração, de silêncio e contemplação. Também, temos uma grande cruz, com o Crucificado, no início da Igreja, à direita. É uma cruz histórica, que recorda o tempo dos jesuítas, das missões.

A bênção e dedicação, por enquanto ainda somente interna, é momento de nos alegrarmos como Paróquia e como Diocese. A maioria dos investimentos partiram, todos os meses, de nosso povo. Tivemos o auxílio de tantos, de muitos. Isto é um sinal de comunhão diocesana. Agradecemos a todos, especialmente ao pároco da Catedral e à Comissão de Revitalização. Foram incansáveis. Foi com muita coragem que iniciamos esta obra, sem os necessários recursos.

O Divino Espírito Santo nos abençoe a todos e todas, hoje e sempre.

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta