Conscientização do dízimo

O processo de evangelização de nossas Paróquias e Diocese dependem, em grande parte, da contribuição do dízimo dos fiéis. A organização diocesana prevê que todo o montante seja destinado para a obra da evangelização. Na nossa Diocese 30% fica para a comunidade, 60% para a paróquia e 10% para a Diocese. O fiel católico sabe que além do dízimo, temos, também, festas, promoções, ofertas nas celebrações e doações. Claro, neste tempo de pandemia, estamos somente com o dízimo. Muito já se trabalhou sobre esta realidade em nossa Diocese. Há um belo trabalho. Praticamente todas as paróquias já têm dízimo implantado, que deixou de ser uma taxa. A conscientização para o dízimo deve ser contínua e, cada vez, mais aprofundada.

“O dízimo é uma contribuição sistemática e periódica dos fiéis, por meio da qual cada comunidade assume, corresponsavelmente, sua sustentação e a da Igreja. Ele pressupõe pessoas evangelizadas e comprometidas com a evangelização.” (CNBB, Doc. 106, n.6). Como sabemos, nunca o dízimo é uma taxa. Mas, em algum lugar, se não estabeleces o mínimo, a contribuição é muito pequena. Isto revela, sem dúvidas, a falta de consciência da necessidade da Paróquia, a falta de fé da pessoa ou a pouca transparência na gestão administrativa. O primeiro e insubstituível olhar do dizimista é para Deus, sua bondade e tudo o que ele significa em sua vida e de sua família. “Que poderei retribuir ao Senhor por todo o bem que ele me fez? (Sl 115,1). O dízimo é um ato de gratidão a Deus, um muito obrigado. Mas, por que tem que ser para minha paróquia? Porque a ela eu pertenço, nela eu vivo minha fé, sinto-me vinculado a ela. Nunca deve ser por causa de um cemitério ou para ter algum direito depois. Também está errada a ideia que o dízimo deve ser contribuído somente nos momentos em que a família tem alguma necessidade especial, como a catequese dos filhos ou o casamento, por exemplo. Não, ele tem um valor em si mesmo. É um gesto gratuito. E deve seguir o que a consciência da pessoa diz. Sem dúvidas, a palavra mais apropriada para falar do dízimo é contribuição.

A primeira dimensão do dízimo é religiosa. Tem a ver com Deus. Diante de tudo o que tenho e trabalhei para ter, Deus é sempre a fonte última. Qualquer outro fundamento primeiro não está certo. Ele é o Senhor de tudo. Ao contribuir com o dízimo, o fiel deve dizer no seu interior: “obrigado, Senhor”. Em segundo lugar, tem a ver com a comunidade eclesial. Eu estou e sou Igreja de Jesus Cristo. Isto significa que quando comentamos algo da Igreja, falamos de nós mesmos. A formação dos membros da comunidade, com cursos e atualizações, juntamente com todo o tipo de catequese é essencial hoje. Sem esta formação, não é possível ser cristão hoje. Em terceiro lugar, o dízimo deve ser missionário. Isto em duas dimensões. Primeiro em ir, sair, levar a Palavra. Isto sabemos que custa. E é um recurso bem aplicado. Em segundo lugar, em ser missionário com as paróquias que tem menos condições. Não é bom que haja tanta disparidade de recursos de uma com a outra. Em quarto lugar, a dimensão caritativa, que se manifesta no cuidado com os pobres, por parte da comunidade. Os primeiros cristãos diziam que “entre eles ninguém passava necessidade” (At 4,34). Este cuidado pastoral com os necessitados é profundamente evangélico e nunca deve ser esquecido. Deve-se prever, no orçamento anual, este gasto paroquial. Enfim, os recursos advindos da contribuição com o dízimo servem também para a manutenção e conservação dos bens e propriedades das comunidades: funcionários, templos, salões, casa do padre, carro, alimentação e tantos outros itens.

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta