Jovens, missionários e santos

Em sua carta aos jovens, Papa Francisco nos recordou que “o coração da Igreja está cheio de jovens santos, que deram sua vida por Cristo, muitos deles até o martírio. Eles foram preciosos reflexos de Cristo jovem que brilham para nos estimular a nos tirar da sonolência” (CV, n. 49). O seu testemunho foi o maior anúncio. Precisamos conhecer modelos de santidade, que com sua vida espelham Jesus Cristo, a quem todos queremos seguir. Interessante de ver como eles se mantém muito atuais. Falam de Deus, falam ao mundo de hoje e de cada um de nós. Vou recordar da vida de dois deles.

O primeiro, ainda não foi canonizado, é o venerável Carlos Acutis (1991-2006). Nasceu em Londres e morreu em Monza, na Itália, vítima de leucemia, com apenas 15 anos. Ele é conhecido em todo o mundo graças às suas extraordinárias habilidades informáticas que colocou a serviço do Evangelho e da Igreja. Por meio da internet e das redes sociais, levou Jesus entre seus coetâneos e aqueles que entravam em contato com ele. Por esta ação inovadora, pode ser considerado como um modelo de referência para quem trabalha no mundo da comunicação social. Seu lema era: “Todos nascem como originais, mas muitos morrem como fotocópias”. Frases deste adolescente cheio de fé: “Estar sempre junto com Jesus: este é o meu plano de vida”. “Nossa meta deve ser o infinito, não o finito. O infinito é nossa Pátria. Sempre nos esperam no Céu”. Carlo era um garoto absolutamente normal. A Eucaristia diária tornou-se uma necessidade real para ele. Dele é esta frase: “A Eucaristia é a minha autoestrada para o céu”. Dizia que todos nós somos chamados a sermos discípulos amados como João o Apóstolo, o grande cantor da Eucaristia (Fonte: vaticannews). Sim, para trilhar o caminho da santidade não precisamos de esquisitices, mas uma vida normal, e saber utilizar os recursos do nosso tempo para o anúncio do bem e do evangelho de Jesus Cristo.

A segunda é uma grande santa, a jovem carmelita e missionária Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), conhecida como Santa Terezinha. Nasceu em Alençon e viveu em Lisieux, na França, onde faleceu com 24 anos. Sua memória na liturgia é celebrada no dia 01 de outubro. Teresinha entrou para o Mosteiro das Carmelitas em Lisieux aos 15 anos de idade, com a autorização do Papa Leão XIII. Sua vida se passou na humildade, simplicidade e confiança plena em Deus. Entregou-se com inteira decisão e consciência à tarefa de ser santa. Sem perder o ânimo, diante da aparente impossibilidade de alcançar os pontos mais elevados da renúncia de si mesma, costumava repetir: “Deus não inspira desejos impossíveis. Não tenho que me fazer mais do que sou, mas sim me aceitar tal como sou, com todas minhas imperfeições”. Teresinha tinha um profundo desejo em seu coração de ter sido missionária “desde a criação do mundo até a consumação dos séculos”. Queria ser tudo, até que descobriu sua vocação: “No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor”. Santa Teresa morreu de tuberculose, em 30 de setembro de 1897, dizendo suas últimas palavras: “Oh!… amo-O. Deus meu,… amo-Vos!”. Oferecia seus sofrimentos para apoiar as vocações e a obra dos missionários. Tinha certeza que após sua morte continuaria a fazer o bem, pela sua condição de estar profundamente unida ao seu Senhor. “Quero passar meu céu fazendo o bem na terra”, afirmava. Canonizada por Pio XI em 17 de maio de 1925, dois anos mais tarde foi proclamada padroeira universal das missões, juntamente com São Francisco Xavier. Em 19 de outubro de 1997, São João Paulo II proclamou-a Doutora da Igreja (Fonte: acidigital.com).

Carlos Acutis e Santa Terezinha foram dois jovens exemplares. Inspiremo-nos neles. “Por que não falar de Jesus? Por que não dizer aos outros que Ele nos dá forças para viver [...]?” (Cv, n. 176).

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta