PASSO FUNDO – Funcionários dos Correios fazem greve e pedem aumento de salário

Mesmo com a paralisação dos servidores, os atendimentos nas agências continuam. Categoria reclama da retirada de benefícios e cobra do Governo a realização de um concurso público

Os trabalhadores dos Correios de Passo Fundo aderiram na manhã desta quarta-feira (11) a greve nacional da categoria. Por todo o país, funcionários da estatal reivindicam aumento salarial acima da inflação e se colocam contra a retirada de benefícios, como o vale-cultura, ‘vale-peru’, dado no fim do ano e a redução do adicional noturno de 60% para 20%, além de outros itens. A categoria pede reajuste de 3,79% no salário, equivalente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mas a estatal propõe 0,8%.

De acordo com o diretor da Subsede de Passo Fundo, Gelson Luis Zapello, a greve é por tempo indeterminado e municípios da região, como Soledade, Marau, Tapejara, Erechim, Getúlio Vargas, Estação e Sertão também estão paralisados. “É somente retirada, a empresa não propôs nada além do aumento que não chega a 1%. Estamos todos mobilizados, a nível nacional os trabalhadores viram que esse é o momento de nos unirmos”, diz Zapello.

A mobilização em Passo Fundo se concentra em frente à agência dos Correios no bairro Petrópolis e conforme o diretor, caso chova, os funcionários irão para um espaço coberto próximo ao local em que estão.

A empresa é da população, a dona dos correios é a população. Pedimos o apoio nesse momento para que tenhamos força e que se mude essa mentalidade do governo. Temos a esperança que ‘a gente’ consiga salvar a nossa empresa

Os atendimentos nas agências da Petrópolis e da Rua Moron, no Centro, continuam, mas estarão “prejudicados e com menos pessoas”, afirma Gelson. No momento, o diretor pede que a população os apoie. “É um momento difícil da nossa empresa, sabemos que é difícil para eles [população], existe uma defasagem de funcionários, mas a culpa não é nossa, é do governo. Entendemos a revolta da população, mas a culpa é do governo”, reclama. Desde 2011, pontua, não há concurso público para a estatal. “Quem paga com isso é a população, o pessoal esta saindo e não tem reposição, isso sobrecarrega os nossos trabalhadores”, completa Zapello.

Além da pauta inicial, os trabalhadores são contrários à privatização dos Correios e argumentam que querem “salvar a empresa”. “A empresa é da população, a dona dos correios é a população. Pedimos o apoio nesse momento para que tenhamos força e que se mude essa mentalidade do governo. Temos a esperança que ‘a gente’ consiga salvar a nossa empresa”.

Os Correios em Passo Fundo possuem quase 200 funcionários, entre carteiros, administrativos, atendimento, financeiro e operadores de triagem e transbordo. Zapello ainda diz que está agendada para o dia 25 de outubro (sexta-feira) uma audiência pública “para fazer com que os políticos nos ajudem nesse momento, nós que colocamos eles lá”, comenta.

Diário da Manhã