Pedras vivas

Ao enviar seus apóstolos ao mundo, antes de sua Ascensão ao Pai, Jesus ressuscitado deixou-lhes a missão permanente, anunciar o Evangelho. “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,19-20). As Diretrizes que orientam a ação evangelizadora no Brasil apontam para a necessidade dos cristãos encontrarem espaços onde possam se encontrar como irmãos em Cristo, sobretudo nas casas, seguindo o exemplo dos primeiros cristãos. De fato, nas primeiras gerações cristãs não havia a preocupação pela construção de templos, como nos atesta São Pedro: “Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo” (1Pd 2,5).

No entanto, durante a história da Igreja os cristãos foram vendo cada vez melhor o significado do espaço, do lugar sagrado. Já no Antigo Testamento, ao falar do templo de Jerusalém, Ezequiel diz que a água jorra para os quatro cantos e será fonte de vida onde ela chegar. Símbolo para designar que “tudo o que essa água atingir se tornará são e saudável e em toda parte aonde chegar a torrente haverá vida” (Ez 47,9). Este é o sentido mais profundo dos lugares de culto, nossas igrejas. A “igreja” é um edifício que na sua essência se diferencia de uma moradia ou lugar público. É um lugar de culto no qual a comunidade cristã se reúne para celebrar os sacramentos, ouvir a Palavra de Deus e fazer suas orações pessoais. No tempo da sociedade da cristandade, as igrejas assumiam lugares privilegiados na geografia de uma cidade ou até das pequenas comunidades interioranas. Hoje, com o avanço da urbanização, do pluralismo religioso e da secularização, embora não tenham a mesma importância, continuam presentes e são pontos de referência para muitos. Embora muitas delas sejam de uma beleza artística extraordinária, contudo nunca são somente um lugar para turismo, mas, como disse Jesus: “O zelo por tua casa me consome” (Jo 2,17). Além das celebrações litúrgicas, a quietude que encontramos na oração silenciosa diante do sacrário é preciosa.

O centro de cada igreja é Jesus Cristo, sobretudo o altar, “seja ele o centro de nosso louvar e ação de graças”, “seja a fonte de onde nos jorra perene a água da salvação, e, aproximando-nos de Cristo, a pedra viva, nele cresçamos qual templo santo, e sobre o altar do coração possamos oferecer uma vida santa como sacrifício agradável em louvor de vossa glória” (Bênção de Igreja, n. 21). O altar, o ambão da Palavra e o sacrário são os lugares vivos de nossas igrejas. Em cada igreja a assembleia litúrgica se reúne, sobretudo no Dia do Senhor, para celebrar, para alimentar a vida de fé e partir novamente em missão. Sabemos que, na maioria das igrejas de nossas paróquias, não é possível a celebração eucarística dominical, pela escassez de sacerdotes. Porém, cada comunidade, pequena ou grande, deve abrir suas portas para que o povo possa celebrar o Domingo, com o importante serviço dos ministros leigos.

Nossa Diocese de Cruz Alta tem quinhentas e cinquenta e cinco comunidades. Cada uma com sua igreja. São, normalmente, sóbrias, possibilitando que a assembleia litúrgica se reconheça como “o povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (São Cipriano). Dentre todas as igrejas, uma delas se sobressai, por ser a igreja-mãe, nossa Catedral. Leva este nome porque nela encontra-se a “cátedra”, local visível do ministério pastoral do bispo diocesano. Há mais de um ano, estamos realizando sua revitalização. Toda Diocese de Cruz Alta está empenhada nesta missão diocesana. Agradecemos a todos que já são benfeitores e incentivamos todos a contribuírem. Queremos ser “pedras vivas” na Igreja e no mundo!

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta