A construção da comunhão

A comunhão sempre foi um grande desafio para a sociedade humana. Todos têm o direito de ter suas ideias e concepções antropológicas e sociais. Nem sempre é fácil conviver e construir um núcleo onde todos se sintam representados. A comunhão desejada também supõe certa tensão. Aliás, as opiniões divergentes provocam para avançar. Desejamos aprender o processo de construção da comunhão, sobretudo na dimensão humana de respeito e tolerância. A paz só é possível quando nos educarmos para a convivência nas diferenças humanas, sociais, políticas e religiosas. À medida que aprendemos a conviver com a diversidade, poderemos construir “pontes” ao invés de “muros” entre nós. Isto vale para a sociedade civil, a família, a política e, também, a vida de nossas comunidades na Igreja. O Papa Francisco usou, várias vezes, o símbolo do “poliedro” para falar desta comunhão que supõe e acolhe as diferenças.

Ao falarmos de nossa realidade de Igreja, temos um fio condutor, que brota da Sagrada Escritura e da Tradição, e nos oferece alguns pontos claros de coerência com a fé que professamos em Jesus Cristo. Existe uma identidade de fé, doutrina e moral que todo o batizado é chamado a testemunhar. O diálogo não é sinônimo de relativismo. Saber escutar respeitosamente e conversar é o caminho para a comunhão, a sinodalidade. Já dizia São João Crisóstomo: “Igreja é nome que quer dizer sínodo”. Ou seja, “Igreja” tem a ver com caminho percorrido juntos, sob a guia do Senhor ressuscitado. Todo o povo de Deus, na pluralidade de seus membros e no exercício responsável dos vários ministérios, é convidado a se sentir corresponsável. Este é o caminho que Deus espera da Igreja no terceiro milênio, disse Francisco. Nenhum grupo tem o direito de excluir e diminuir pessoas por considerar-se o único detentor da verdade. Ao acolhermos e ouvirmos a todos, crescemos juntos.

Na Diocese de Cruz Alta, apostamos nos diferentes conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários para realizarmos este processo de comunhão. Eles não servem apenas para tomar decisões com consenso, mas são uma escola de pertença e comunhão. Nas paróquias, o Conselho Paroquial de Pastoral e o Conselho Paroquial de Economia e Administração são os mais importantes. Este será um dos espaços para a comunhão e participação dos leigos e dos padres. Quando participamos, somos corresponsáveis pela única missão que a todos nos une. Conseguimos ver além de nosso pequeno espaço. As dores de nossa Igreja são sentidas como minhas dores também (cf. 1Cor 12). As alegrias dos avanços são as alegrias de todos. Sentimo-nos todos parte de uma grande e única família, um único Povo de Deus.

Além dos conselhos, também a missão é o lugar privilegiado da sinodalidade, pois temos um único Plano da Ação Evangelizadora, que guia todas as paróquias, comunidades, pastorais e movimentos. Além dos projetos comuns, também os lugares e eventos nos identificam e nos congregam. São lugares que falam de nossa Diocese, o nosso Santuário Diocesano de Nossa Senhora de Fátima, com sua romaria anual; o nosso Seminário Maior Bom Pastor, que acolhe nossos futuros padres; o nosso Centro Diocesano de Formação Pastoral, que forma nossos leigos; a nossa Catedral Divino Espírito Santo, nossa igreja mãe. A propósito, nossa Catedral está passando pela sua revitalização, com a ajuda de muitas pessoas, sobretudo da Diocese, que compreendem que são parte desta família.

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta