Seminário do Leite: Brasil não tem qualidade para vender para a China

A Coasa realizou nesta quarta-feira, mais um seminário sobre bovinocultura de leite. De Minas Gerais, veio palestrar, o consultor Cassio Roberto Melo Camargos. Embora reconheça os avanços que o setor teve no Brasil, nos últimos anos, ele falou que hoje o Brasil não consegue exportar leite para a China porque não atende às exigências do importador.

O produtor brasileiro desponta no mundo como exportador de carnes de frango, gado, suíno, soja, além de outros produtos, mas precisa melhorar muito a cadeia do leite. E para ser competitivo precisa resolver os gargalos da porteira para dentro, que é onde ele pode fazer gestão. O dono da propriedade deve mudar atitudes, uma propriedade que vale R$ 2 milhões precisa ter R$ 1 milhão anual de receita, se tiver R$ 500 mil apenas, é muito pouco, disse o palestrante. No entendimento do painelista, os recursos técnicos estão à disposição, basta o produtor buscar esse apoio.

Renato Palma Nogueira, outro palestrante, disse que o desafio de produzir leite no sul do Brasil é grande por causa dos extremos de temperatura. “Viajo por todos os estados e nunca enfrentei tanto calor como aqui no Rio Grande do Sul no verão”, disse Nogueira. A melhor temperatura para as vacas holandesas é aquela que oscila entre cinco graus negativos e 15 graus positivos. Com temperatura de 30 graus o animal entra em estress térmico e diminui a produção. Além da água de qualidade e quantidade, o produtor precisa disponibilizar sombra, seja através de sombrite, telhado ou árvores. Na sala de ordenha , o rebanho precisa ser molhado e ventilado. O que ocorre é redução na oferta de leite no verão e acréscimo no inverno, distorcendo os preços, o que poderia ser minimizado com regularidade na oferta, ponderou o painelista. Uma vaca toma 80 litros de água por dia no inverno e 160 litros no verão.

O presidente da Coasa, Orildo Belegante, enalteceu a presença dos produtores. Segundo ele, a atividade leiteira tem auxiliado na fixação do homem no campo e na diversificação da renda. “É importante que a propriedade tenha renda o ano inteiro”, disse ele. Para fomentar a produção a Coasa instalou uma fábrica de ração e dispõe de uma equipe técnica para auxiliar os associados.

Rádio Planalto