O Divino Espírito Santo

Desde a construção da primeira capela, o município de Cruz Alta, do qual surgiram 242 municípios no norte e noroeste do nosso Estado, tem como padroeiro o Divino Espírito Santo. Esta centenária devoção é uma rica herança deixada pelos colonizadores portugueses, sobretudo os açorianos, que é recordada e festejada com folclore e ritos próprios, de cunho popular. Em nossa cidade de Cruz Alta temos os “Devotos do Divino Espírito Santo”, que, com a bandeira do Divino, visitam e rezam nas famílias que são convidados. Claro, a devoção manifesta-se misturada com elementos culturais. A cidade sempre trouxe consigo a marca fundamental da proteção do Espírito Santo, sendo conhecida como “Mui Leal Cidade do Divino Espírito Santo da Cruz Alta”. O Papa São Paulo VI, ao criar a Diocese, aos 27 de maio de 1971, determinou que o Divino Espírito Santo fosse o titular da Catedral Diocesana. Portanto, Pentecostes, celebração litúrgica do Espírito Santo, é a festa do padroeiro do município de Cruz Alta e de toda nossa Diocese.

Mas qual o sentido do Divino Espírito Santo na nossa fé? Teologicamente, o Espírito Santo é Deus. É a terceira pessoa da Santíssima Trindade. É o amor que une o Pai e o Filho. Portanto, mais do que uma devoção, ao Espírito Santo deve-se a adoração, como a Deus Pai e o Filho. É Deus que se faz presente na história e mantém sempre viva e atual a Palavra e o próprio Cristo Ressuscitado. O Espírito Santo é quem conserva a fé cristã sempre atual, nova, para hoje. Ele torna atual, operante, a salvação realizada por Cristo, não a deixando fossilizar-se como uma peça de museu, mas fazendo os corações arder (cf. Lc 24, 32) e formando os discípulos do Filho. O Espírito torna universal a obra de Cristo, fazendo com que todos os homens e mulheres, de todos os tempos, possam beber desta única fonte de água viva, Jesus Cristo (cf. Jo 4,14). Ele mantém viva a memória de Jesus Cristo e seu projeto, visto que como Ele, nós fomos, pelo nosso batismo, ungidos com o Espírito Santo, para evangelizar e anunciar o Reino de Deus Pai (cf. Lc 4,14-20). Portanto, sem o Espírito Santo não é possível ter fé, pois “ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo” (1Cor 12,3).

“O Espírito Santo é a alma da Igreja”, já dizia a tradição dos Santos Padres. A Igreja vive no Espírito e pelo Espírito, pois Ele, o Senhor da Vida, é quem dá vida à Igreja. Como ensina o Concilio Vaticano II, o “Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis como em um templo. Neles ora e dá testemunho da adoção de filhos. Conduz a Igreja ao conhecimento da verdade total, unifica-a na comunhão e nos ministérios, ilumina-a com diversos dons carismáticos e hierárquicos e enriquece-a com seus frutos” (Lumen Gentium, 4). Dele é a obra missionária da Igreja: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, tendo dito isso, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). Envia constantemente os cristãos em missão, marcados com esta identidade em todos os tempos da história. Ainda, conduz os batizados no caminho de iniciação cristã, até atingir a santidade, que é “o estado de adultos, a estatura do Cristo em sua plenitude” (Ef 4,13).

Parabenizo a Diocese de Cruz Alta pela festa do padroeiro. A celebração da Solenidade de Pentecostes, na festa do Divino Espírito Santo, é uma confirmação de nosso caminho de evangelização diocesano. Professamos nossa fé no Espírito Santo e, hoje, somos enviados em missão!

Dom Adelar Baruffi – Bispo da Diocese de Cruz Alta