Influenza A: o vírus que pode matar

Confirmação de duas mortes causadas por gripe influenza tipo A no estado serve de alerta à população para a adoção de medidas de prevenção

A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul confirmou nesta semana dois óbitos por gripe, sendo esses os primeiros casos no estado em 2019. Tratam-se de dois idosos de 71 e 79 anos, residentes em São Gabriel e Barra do Ribeiro, respectivamente. Os diagnósticos foram confirmados pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) para os tipos de vírus influenza A-H1N1 e A-H3N2.

O caso mais recente dos óbitos, ocorreu no último dia 11 em São Gabriel, com o idoso de 71 anos que contraiu o tipo de vírus A-H1N1. Anteriormente, em 2 de maio, a mulher de 79 anos, residente em Barra do Ribeiro, morreu após ficar internada na capital e teve diagnóstico para H3N2.

Ambos procuraram atendimento após apresentar sintomas de desconforto respiratório, com tosse, dor de garganta e febre. Os dois precisaram ser transferidos para leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e chegaram a iniciar o tratamento preconizado com o antiviral oseltamivir (de nome comercial Tamiflu). Nenhum deles chegou a ser vacinado neste ano, já que as internações ocorreram antes do início da campanha de vacinação para os idosos. Os dois tinham ainda fatores de risco.

No Brasil – segundo o mais recente boletim de monitoramento da influenza, divulgado pelo Ministério da Saúde no último dia 9 – já são 535 pessoas hospitalizadas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SGRAG) por influenza, com 99 óbitos. O boletim também indica que o vírus A (H1N1) é predominante no país até o momento e também responsável pela maior parte dos óbitos, com registro de 254 casos e 89 mortes. Foram identificados ainda 54 casos de influenza A (H3N2); 38 casos de influenza A não subtipado; e 62 casos de influenza B. Outros 127 casos ainda não tiveram o subtipo identificado.

ATENTE AOS SINTOMAS
O médico pneumologista Vinícius Dal Maso, que atua no Hospital São Vicente de Paulo e na Clínica do Pulmão, explica que os grupos com maiores riscos são os idosos, gestantes e pessoas que têm doenças crônicas. Assim, diz ele, se ressalta a importância de fazer a vacina, para prevenir possíveis complicações, “pois depois que o vírus se instala é difícil reverter o quadro”.

Conforme detalha o pneumologista, os principais sinais que a influenza tipo A apresenta são: cansaço, fadiga, febre alta por muito tempo e principalmente falta de ar, que não é comum acontecer com um simples resfriado por exemplo. “Em 2009 ocorreram vários casos, mas como diminuíram com o tempo, as pessoas foram deixando de fazer a vacina nos outros anos”, ressalta Dal Maso, que orienta que as pessoas que notarem esses sintomas devem imediatamente procurar um médico para que o mesmo realize os exames necessários para identificar a possível presença do vírus A-H1N1.

Segundo o Ministério da Saúde, todos os estados estão abastecidos com o fosfato de oseltamivir e devem disponibilizá-lo de forma estratégica em suas unidades de saúde. Para o atendimento do ano de 2019, a pasta informou que já enviou aproximadamente 9,5 milhões de unidades do medicamento aos estados.

O tratamento deve ser realizado, preferencialmente, nas primeiras 48h após o início dos sintomas.

VACINAÇÃO
Os casos, registram os órgãos de saúde, alertam para o prazo da campanha de vacinação que está em vigor e vai até o dia 31 de maio.

Mais de 2,3 milhões de gaúchos se vacinaram até o momento, mas ainda restam cerca de 1,5 milhão de pessoas que devem se proteger contra os três tipos de vírus da gripe mais frequentes (A-H1N1, A-H3N2 e B). Até esta quarta-feira (15), foram registrados nove casos de pessoas doentes com um dos três tipos de vírus influenza no Rio Grande do Sul (a Secretaria não informou a cidade), sendo esses óbitos entre eles.

Diário da Manhã