CARAZINHO – Custos de produção estão em alta para a próxima safra

Analistas debateram a atual situação do mercado do agro em reunião sediada no Sindicato Rural de Carazinho nesta segunda-feira (13)

O Sindicato Rural (SR) de Carazinho sediou na manhã desta segunda-feira (13) uma das cinco reuniões que acontecem no Rio Grande do Sul entre a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e produtores rurais. Os encontros, que acontecem anualmente em várias cidades do país, visam avaliar as safras recém-encerradas e verificar perspectivas, em especial de preço de insumos, para a próxima safra.

Além da coleta de dados, as reuniões também visam dar um panorama aos produtores, empresários do setor, sindicatos do ramo do agronegócio e lideranças políticas locais. Na reunião desta segunda-feira, excepcionalmente, também esteve presente, por alguns momentos, o deputado federal Jerônimo Goergen (PP), que repassou aos participantes um panorama do cenário político nacional em relação ao setor agro.

– As decisões políticas que precisam ser tomadas e que estão sendo proteladas, sem dúvidas, estão trazendo ao Brasil, e de maneira especial ao agro, uma elevação do custo de produção. Especificamente nessa safra passada, o produtor já sabia que ao fazer a lavoura ele teria uma renda menor. E essa realidade vem se desenhando também para a próxima safra. Aliado a isso, há a questão internacional como a guerra comercial entre China e EUA e a situação da peste suína no país chinês – elenca o parlamentar.

Diante dessas situações, o político argumenta ser de extrema necessidade a aprovação e implementação das reformas. “Por isso, é fundamental que tenhamos logo as reformas acontecendo, tanto a da previdência quanto a tributária. No caso da reforma previdenciária, acredito que em uma perspectiva muito positiva nós vamos ter a aprovação dela neste ano. Mas, caso as reformas demorem ou não aconteçam, o Brasil seguirá parado como está agora, diante dessa falta de estabilidade política”, projeta o deputado federal.

Momento de indefinições para a venda de grãos e compra de insumos
Na visão do coordenador de produção agrícola da CNA, Alan Malinski, diversos fatores estão deixando o atual momento muito instável em relação ao mercado do agro, principalmente quanto à soja, cultura mais disseminada no país e no RS, e que teve, recentemente, sua colheita finalizada. Em relação à produtividade da oleaginosa, a avaliação de Malinski é que o país teve uma boa safra, apesar de não bater recordes.

– Devido a alguns problemas pontuais em alguns estados do país, a produtividade não foi tão alta quanto no ano passado, mas devemos fechar a safra 2018/2019 com 117 a 118 milhões de toneladas colhidas. Em relação ao preço, o que está definindo ele é essa guerra comercial entre EUA e China. Vemos que o chinês está comprando apenas o extremamente necessário, o que vem causando essa indefinição. Aquele produtor que conseguiu travar sua venda com os preços até meados de janeiro teve uma comercialização boa, pois a partir desta data os preços começaram a cair – afirma Malinski.

O cenário para os próximos meses, conforme o representante da CNA que esteve na reunião no Sindicato Rural carazinhense, ainda são de intensa indefinição, devido à guerra comercial entre EUA e China. Inclusive, de acordo com Malinski, essa batalha também irá impactar nos preços dos insumos para a próxima safra.

– Devido a esse aumento do dólar, o produtor vai ter aumento dos custos. Tanto que alguns produtores estão até aguardando o começo da próxima safra na esperança de uma melhor situação. Diante disso, o cenário não está muito favorável aos produtores – revela Alan Malinski.

Calcular qual margem o produtor acha satisfatória
Com a indefinição nos preços, em especial da soja, e a necessidade de investimentos para uma próxima safra chegando, muitos produtores estão em dúvida sobre como proceder. Nesse aspecto, o economista da Farsul, Ruy Silveira, sugere ao agricultor fazer o cálculo entre o custo de produção e o preço atual da soja até encontrar uma margem satisfatória.

– Há possibilidade de se esperar, mas se o produtor julgar que poderá fazer uma margem de renda boa, diante dessa indefinição que temos no mercado ele poderá proceder a venda. Mas, é importante que o produtor faça esses cálculos e realize a comercialização de maneira particionada, para diminuir os riscos dele ao longo do tempo – aponta Ruy Silveira.

Em relação à aquisição de insumos, o economista reforça que o meio de ano é o pior momento para as compras, já que nesse período, historicamente, os preços são mais altos, ainda mais nesse momento de dólar valorizado. Por isso, a orientação nesse ponto é aguardar uma desvalorização da moeda norte-americana ou postergar a aquisição para períodos de preços mais propícios, que tendem a cair no decorrer do ano.

Aumento dos custos em 200% em 10 anos
Apresentar essas análises de mercado, conforme o presidente do Sindicato Rural de Carazinho, Leomar Tombini, é um dos principais objetivos que motivam a entidade a sediar as reuniões. Conforme Tombini, esse modelo de encontro – ocorrido sempre nos meses de maio – é realizado anualmente há cinco anos na cidade carazinhense.

Ainda de acordo com Tombini, os números apresentados no decorrer das reuniões já promovidas em Carazinho mostraram que o custo de produção para os agricultores, dentro de um período de 10 anos, já alcançou um percentual de 200% de elevação.

“A perspectiva é haver um acréscimo de 15% em todos os insumos que vamos comprar” – Leomar Tombini, presidente do Sindicato Rural de Carazinho

– E para a próxima safra as perspectivas, novamente, não são boas, porque o produtor sai de uma safra descapitalizado, porque ele não teve lucro, e os insumos que ele vai adquirir para a próxima estão muito altos. Como a maioria dos insumos é oriunda de multinacionais e essas empresas colocam o preço em dólar, diante do atual valor da moeda norte-americana, os custos deverão, novamente, ser elevados. A perspectiva é haver um acréscimo de 15% em todos os insumos que vamos comprar – informa Tombini.

Diário da Manhã