Corsan anuncia reajuste na conta de água

Cálculo para revisão leva em consideração dois índices. Segundo a Corsan, empresa prioriza o mais baixo na tomada de decisão

A rotina de regar as plantas e lavar carros e calçadas vai ter que mudar para muitos moradores, já que um reajuste na conta de água deve impactar o bolso dos consumidores a partir do mês de julho. O anúncio foi feito pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), que apresentou um cálculo de reposicionamento de tarifa em audiência pública na segunda-feira (13). Diferente do reajuste anual, o reposicionamento da tarifa é realizado a cada cinco anos e, segundo a Corsan, busca o reequilíbrio dos custos.

Para chegar ao índice proposto, a Corsan utilizou duas metodologias de cálculo para definição da base de ativos fixos. O primeiro cálculo considerou a metodologia vigente nas revisões tarifárias anteriores, nas quais os ativos eram atualizados com base no Índice Nacional de Custo da Construção Civil – INCC, resultando no índice de 25,84%. No segundo cálculo, a base de ativos fixos considerou apenas o incremento da expansão, sem a atualização pelo INCC, resultando no índice de 13,54%. A partir dos índices, a Corsan priorizou que o menor índice fosse priorizado na tomada de decisão, em razão de que este contém a base consolidada dos ativos fixos e não uma base em tratamento. “Sempre consideramos o segundo cálculo como o mais indicado a ser adotado em razão da prudência que o tema requer”, reforçou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Jorge Melo, em sua manifestação.

De acordo com a Companhia, o objetivo de readequar os valores é uma forma de potencializar capacidade de investimento nos municípios atendidos e leva em conta uma cesta de itens que impactam no estudo. Segundo o diretor-presidente da Corsan, Roberto Barbuti, com a regulação do processo é possível considerar os anseios do usuário, sem deixar de levar em conta que infraestrutura requer investimentos pesados. “A remuneração adequada é fundamental para que se possa realizar o que a sociedade tem expectativa em termos de obras e serviços. Nessa etapa, cabe à Agência acompanhar tecnicamente a metodologia, aferindo o processo, e à Corsan o papel de sugestão, considerando seus custos e as referências de outras prestadoras do serviço. Com isso, visamos a uma equação que venha a beneficiar todos os envolvidos”, destacou.

O possível índice de 13% – que pode ser alterado até o fim do mês de maio – assusta os consumidores, que precisarão controlar as contas a partir dos próximos meses. Na casa da professora aposentada Marlene Machado a rotina de economia de água vai ser intensificada desde cedo, evitando que o reajuste chegue assustando quem paga as contas. “Já é um hábito cuidarmos para que o consumo de água não seja exagerado, com esse reajuste vamos reforçar ainda mais esse cuidado”, diz Marlene, que é mãe de dois filhos.

Segundo a Companhia, os estudos para o reajuste iniciaram em agosto do ano passado e envolveram a criação de cadernos temáticos que envolvem custos dos serviços diretos e indireto, base de ativos regulatória (BAR) e remuneração desta base (WACC). Pesquisas sobre a gestão de perdas no abastecimento de água, apuração, coeficientes e análises de custos, bem como benchmark para busca de referências em outras companhias do setor também são levadas em consideração. A base e a remuneração de ativos, além da estrutura de capitais, foram os principais pontos destacados, em razão da relevância dos temas e da representatividade destes na composição do índice de reposicionamento tarifário.

A regulação dos serviços da Companhia atualmente é feita por cinco agências: a Agergs, a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Agesan-RS), a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Municipais de Erechim (Ager), a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de São Borja (Agesb) e a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Santa Cruz (Agerst), que são responsáveis pelo acompanhamento dos serviços, incluindo aí a definição dos índices de reposicionamento e ajustes das tarifas. Fica com elas, a partir de agora, a incumbência de analisar os índices sugeridos até o final do mês de maio.

Após a divulgação dos índices, a Corsan dá publicidade ao valor e aplica em um prazo estimado de 30 dias.

Diário da Manhã