Sim, vale a pena

No tempo pascal, em nossa Diocese de Cruz Alta, celebramos o sacramento da crisma. Não raro, na fase da adolescência, típica da conclusão do caminho de iniciação à vida cristã, estes se deparam com questões existenciais difíceis. A busca do sentido da vida é uma das grandes questões. Os adolescentes convivem com situações difíceis, nas quais se conjugam a realidade familiar, a violência social, os apelos do mundo digital, o individualismo consumista e a liberdade exagerada, entre muitos outros. O jovem traz no coração a inquietação e o desejo de uma vida feliz e um mundo melhor. Diante deste quadro, o que tem a acrescentar o sacramento da crisma? Esta é uma realidade de ressurreição, de esperança, de olhar para frente, pois supõe um caminho de vivência cristã.

A aposta vem da Palavra: “Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14,5-6). O Caminho é Cristo. Carregamos a convicção de que Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, revela o homem ao próprio homem (cf. GS 22). Francisco afirmou: “O caminho é Jesus: façamo-Lo subir para o nosso barco e façamo-nos ao largo com Ele. Ele é o Senhor! Ele muda a perspectiva da vida. A fé em Jesus conduz-nos a uma esperança que vai mais além, a uma certeza fundada não só nas nossas qualidades e habilidades, mas na Palavra de Deus, no convite que vem d’Ele” (CV 141).

A preparação para a crisma serve para conhecer O Caminho. O ponto de partida não é um olhar introspectivo, mas um olhar dialógico, que se volta para a alteridade. Ajudar o jovem a erguer os olhos, a voltar-se para fora de si, a olhar para Deus é o princípio do conhecimento de si. Ao contemplarmos Cristo, o Caminho, nos vemos como que num espelho. Descobrimos, agradecidos, que a vida não nos pertence. Somos puro dom, gratuito, imerecido. Que fomos amados antes mesmo de existirmos, no coração de Deus. E, mais ainda, que não existimos sozinhos, que em Cristo formamos uma grande família, a Igreja santa e pecadora. Por isso, afirmamos que a iniciação cristã, que culmina na celebração da crisma, além de todos os elementos teológicos e espirituais, consolida no jovem um projeto. Um projeto de vida é essencialmente um olhar para frente e descobrir que Deus me quer, deseja que eu seja feliz, que eu viva para grandes ideais, indo além do pobre mundo sem Deus e sem fé. Assim afirmou o Papa Francisco na sua carta aos jovens: “Como fase do desenvolvimento da personalidade, a juventude está marcada por sonhos que se vão formando, relações que adquirem consistência sempre maior e equilíbrio, tentativas e experiências, opções que constroem gradualmente um projeto de vida” (CV 137).

O projeto de vida é um horizonte sempre aberto, a ser trilhado. Porém, o jovem que vivencia esta preparação, não somente aprende, às vezes contrariado, verdades intelectuais e doutrinais, mas encontra-se com um grande amigo, que será sua companhia por toda a vida. “A amizade com Jesus é indissolúvel. Nunca nos deixa, embora às vezes pareça calado. Quando precisamos d’Ele, deixa-Se encontrar por nós (cf. Jr 29, 14), e está ao nosso lado para onde quer que formos (cf. Js 1, 9).” (CV 154). Esta companhia do Ressuscitado sempre nos impele para arriscar e gastar a vida. Continua a dizer nosso Papa: “Às vezes toda a energia, os sonhos e o entusiasmo da juventude se atenuam pela tentação de nos fecharmos em nós mesmos, nos nossos problemas, sentimentos feridos, lamentações e comodidades. Não deixes que isto te aconteça, porque ficarás velho por dentro e antes do tempo” (CV 166). Enfim, as palavras do rito da unção dizem o essencial: “Recebe por este sinal o Espírito Santo, dom de Deus”. Sim, vale a pena!

Dom Adelar Baruffi