PASSO FUNDO – Mais de 30 mil novos casos de câncer de pulmão são estimados neste ano

Câncer de pulmão foi tema de Simpósio, no sábado, 11 de maio, no auditório da Unimed, em Passo Fundo/RS

Em 2019, são estimados 33 mil novos casos de câncer do pulmão no Brasil. No Rio Grande do Sul, esse é o segundo tumor mais incidente em homens e o terceiro em mulheres, e, apesar da constante evolução nos tratamentos, continua sendo um dos que mais mata, considerado a principal causa de morte por câncer em homens e a segunda em mulheres. O tema foi discutido no 1º Simpósio de Câncer de Pulmão, promovido pelo Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), que ocorreu no sábado, 11 de maio, no auditório da Unimed, em Passo Fundo.

O Simpósio abordou casos clínicos reais, envolvendo todas as especialidades médicas que atuam no tratamento e cuidado do paciente com câncer de pulmão, desde o patologista, que define o tipo de câncer e suas características moleculares, passando pelo radiologista, cirurgião, pneumologista, radioncologista e oncologista clínico.

O médico patologista do Hospital AC Camargo Cancer Center, Laboratório Bacchi e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Felipe D’Almeida Costa, ressaltou que, desde 2015, com a nova classificação patológica do câncer de pulmão, uma série de conhecimentos foram incorporados, especialmente nos adenocarcinomas in situ e minimamente invasivos, os quais tem menor risco de progressão, disseminação e de metástase. “Esses pacientes podem se beneficiar de acompanhamento apenas ou tratamento cirúrgico conservador. Praticamente 100% dos pacientes com adenocarcinoma de pulmão in situ estarão livres de recidiva depois de cinco anos e mais de 95% dos que têm adenocarcinoma minimamente invasivo”, revelou o patologista, que também é diretor de Ensino da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

Fazer quimioterapia antes de operar o paciente com câncer de pulmão é uma das alternativas que está sendo utilizada. “Uma estratégia cada vez mais comum no câncer de pulmão é fazer quimioterapia e tratamentos novos antes da cirurgia em pacientes com doença operável localizada. Em vez de fazer primeiro a cirurgia e depois tratamento com quimioterapia, a gente faz esse tratamento antes, que tem mostrado algumas vantagens, como a maior probabilidade de completar todo o tratamento quando comparado ao tratamento pós-operatório”, observou o diretor de Oncologia e Hematologia do Centro Oncológico Beneficência Portuguesa de São Paulo, o oncologista clínico Dr. William Nassib William Junior.

Avanços na tecnologia
A cirurgia videoassistida e robótica no câncer de pulmão estão consolidadas. O tema foi abordado pelo diretor geral do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz de São Paulo e professor Honorário do Departamento de Cirurgia da University College of London, o cirurgião torácico Dr. Riad Younes. “Novas cirurgias estão se tornando rotineiras no tratamento do câncer de pulmão como a videotoracoscopia, que é semelhante àquela feita no abdômen, só que no tórax. A técnica utiliza um toracoscópio acoplado a um sistema de microcâmera e monitor de vídeo. Praticamente operamos todos os pacientes com câncer de pulmão auxiliados pelo vídeo, reduzindo o tamanho da incisão e a dor. A agressividade é menor”, ressaltou Younes, que é referência nacional e internacional na área.

Outra inovação é a cirurgia robótica. “Uma novidade em São Paulo é usar um robô para operar. É por meio de vídeo com ajuda de um robô, um passo à frente da videotoracoscopia”, comentou o cirurgião.

Younes enfatiza que essa tecnologia beneficia a qualidade de vida do paciente. “A agressividade de uma cirurgia era muito grande antigamente, ficávamos pensando, em alguns casos, se valia a pena. Conseguimos, então, por meio da tecnologia, ampliar a cirurgia para uma população que antes não se beneficiava, como pessoas idosas ou com problemas cardíacos, por exemplo”, ressaltou o cirurgião.

Também palestraram no Simpósio a radiologista Dra. Daniela Bonamigo, o diretor da Faculdade de Medicina da Imed, Dr. Luiz Artur Rosa Filho e o médico nuclear Dr. Paulo de Araujo Carvalho.

Fatores de risco
O tabaco lidera o ranking de fatores de risco para o desenvolvimento de tumores e está associado a mais de 10 tipos de câncer, sendo responsável por cerca de 30% das mortes por câncer. Acredita-se que nove de cada dez câncer de pulmão são decorrentes do tabaco. Conforme o Inca, fumantes chegam a ter vinte vezes mais chances de ter esse tipo de câncer que não fumantes. “No Brasil, o câncer de pulmão é muito comum e ainda temos elevada prevalência de tabagismo na população. Outros fatores importantes são a poluição do ar e ambiental. No Rio Grande do Sul, ainda se fuma muito. Precisamos intensificar as campanhas antitabaco. O câncer de pulmão é potencialmente evitável em 30 a 40% dos casos”, pontuou o coordenador geral do evento, o oncologista clínico do CTCAN, Dr. Alvaro Machado.

Fotos: Natália Fávero
Natália Fávero – Assessoria de Imprensa CTCAN