Casos de raiva preocupam a região

Registros da doença em animais foram registrados em Soledade, Tio Hugo, Não-Me-Toque e São Domingos do Sul. Em Santa Catarina, a situação é ainda mais urgente, após uma mulher morrer vítima de raiva

Casos de raiva herbívora vêm sendo registrados em várias cidades do Estado. Segundo a médica veterinária da Vigilância Ambiental e Saúde da 6a Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), com sede em Passo Fundo, Marli Favretto, trata-se de um cenário preocupante, afinal, não se via casos da doença há bastante tempo. “Não era comum acontecer raiva em herbívoros e neste ano está acontecendo em vários locais, várias propriedades com esse diagnóstico em bovinos e equinos”, explicou a médica veterinária.

No Rio Grande do Sul, animais foram diagnosticados em Soledade, Tio Hugo, Não-Me-Toque e, o mais recente, São Domingos do Sul, com um gato infectado. “Quando acontece isso nossa preocupação é primeiramente em relação ao ser humano. Com o animal que está doente o pessoal da Agricultura vai trabalhar e nós, da Vigilância Ambiental, vamos fazer os bloqueios necessários e aplicações de vacinas e soros conforme cada caso”, relatou Marli, que afirma que é feita uma investigação de todas as pessoas que podem ter tido contato com o animal infectado para que o processo de vacinação comece.

Em Santa Catarina, a situação é ainda mais grave, afinal, após 38 anos sem registros da doença, uma mulher morreu vítima de raiva, na cidade de Gravatal, no sul do Estado. “A raiva é uma doença milenar. Só que, apesar de antiga, é uma doença que mata 100% das pessoas que adquirirem. Os animais também não sobrevivem”, relatou a médica veterinária.

Por isso, ela chama a atenção para a vacinação dos animais contra a raiva, afinal, estão sujeitos à doença. “As pessoas devem vacinar seus animais anualmente contra a raiva. Se o humano foi agredido por algum animal com raiva a orientação é procurar os serviços de saúde, mas a primeira coisa é lavar com muita água e sabão o local possivelmente infectado”, avaliou Marli.

Doença grave
Sobre o caso de óbito em SC, a médica veterinária explica que o pouco que se sabe aconteceu em uma zona rural e a mulher que faleceu teria entrado com contato com um filhote de gato que a agrediu, porém, ela não procurou assistência e acabou morrendo. “Quando a pessoa começa a apresentar os sintomas não tem mais o que fazer, é 100% letal. Por isso, a importância de que as pessoas vacinem seus animais e se preocupem com isso”, informou Marli.

O caso de raiva em São Domingos do Sul também foi com um felino, que estava doente por dia até que agrediu a dona, afinal a manifestação da doença é essa, de ataque. “Felizmente, ela procurou assistência médica por causa do ferimento, coletamos o material e mesmo sem saber se era raiva, ela já estava tomando medicação, porque o animal já tinha morrido”, comentou a médica veterinária, que ainda ressalta o cuidado para pessoas que tiveram contato com animais na região de Soledade, Ibirapuitã, Tio Hugo e demais localidades próximas.

Marli explica que existem cinco tipos do vírus de raiva. O um e o dois são referentes a cães e gatos, porém, há algum tempo não existem registros deste tipo. Os outros, três, quatro e seis, são transmitidos por morcegos e que vêm acontecendo agora. “O de Santa Catarina foi de morcego e o de São Domingos a gente ainda está esperando testes, mas provavelmente morcego também”, finalizou a médica veterinária.

Diário da Manhã