Brasil se encaminha para a segunda maior safra de grãos da história

Companhia estima que o crescimento será de 3,4% comparado ao ano passado. Cultura do milho na segunda safra contribuiu para o desempenho

A produção de grãos brasileira deve fechar o ano de 2019 com 235,3 milhões de toneladas, um aumento de 3,4% em relação à safra passada, ou 7,7 milhões de toneladas, conforme divulgou ontem (11) a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no 7º levantamento de acompanhamento das safras.

Soja, milho, arroz e algodão, as principais culturas produzidas no país representam 94,5% da safra. Com exceção do arroz, que vive uma crise interna, o aumento de área dessas culturas colaborou para a elevação de 2,1% em relação à safra anterior.

O Superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana, explica que alguns fatores pesaram mais nessa estimativa de produção, como por exemplo, a condição climática favorável para o milho segunda safra e o aumento da área de plantio. “Além disso, a demanda pelo algodão brasileiro, de qualidade, aumentou e entre as culturas essa foi a que teve o maior aumento de área, cerca de 30%. Esses fatores levaram a contribuir para o número de crescimento da produção de grãos, que estimamos ser a segunda maior safra da história, ainda que menor que a 2016/2017, mas expressivamente maior que a do ano passado”.

A soja, conforme argumenta Santana, por causa dos problemas de falta de chuva em especial nas regiões Oeste do Paraná, parte de São Paulo, Sul de Goiás e sudoeste do Mato Grosso do Sul, teve queda na produtividade. Para este ano, a Conab estima a produção em 113,8 milhões de toneladas. “Isso afetou as variedades de ciclo precoce e aconteceu de novo em janeiro deste ano, afetando as variedades de ciclo médio. O problema ocorreu no momento crítico da cultura levou a redução de estimativa de produtividade. Será a terceira maior safra, menor que a anterior, que foi recorde e menor que a 2016/2017”. Se não fossem os problemas climáticos de dezembro do ano passado e janeiro de 2019, destaca o superintendente, “poderíamos estar colhendo uma safra ainda maior, mais recorde”.

Safrinha
O milho puxou esse resultado, tanto pelo aumento de área quanto pelas melhorias na estimativa de produtividade. No entanto, o destaque do grão vai para a segunda-safra, chamada de safrinha, que tem ganhado mais relevância e importância para os produtores. “Houve uma mudança estrutural em como é a produção de milho no país. Depois da safra 11/12, a segunda safra se tornou maior do que a primeira safra, a primeira perdeu área ao longo do tempo e se estabilizou, nos últimos anos produzindo 25 milhões de toneladas em uma área de cinco milhões de hectares”.

Metodologia da Conab
A estatal, fundada em 1943, utiliza uma metodologia diferente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na hora de calcular a produtividade agrícola. O IBGE estima crescimento de 1,6% para essa safra, o que corresponde a 230,1 milhões de toneladas de grãos.

Cleverton afirma que a Companhia, que faz levantamentos de safras há 40 anos, utiliza diversas ferramentas para compor os estudos. “Inicialmente usamos estatísticas e é uma ferramenta que ajuda nas previsões de produtividade. Outra ferramenta que usamos é avaliar o pacote tecnológico do produtor, ou seja, avaliar o que ele [agricultor] está usando de semente, adubo e insumos para chegar no que chamamos de ‘produtividade normal’”, conta.

Outro fator analisado pela empresa pública é a rentabilidade do agricultor. “Isso faz a gente conseguir enxergar com maior precisão quais serão as culturas que terão mais implemento de área ou redução, tudo tem a relação com a decisão do produtor com a rentabilidade que ele terá naquela cultura. São fatores assim que pesam muito nas primeiras estimativas”. “A Companhia utiliza ‘informantes’ em todo o país, mais de mil pessoas espalhadas nas principais regiões produtoras do país, em cooperativas, tradings, que conhecem a fundo a sua produção e a região”. A Conab também faz uso de imagens de satélite, uma ferramente, segundo Cleverton, “muito potente para verificar os índices de vegetação e mapeamento das culturas”.

Potencial de produção
O sorgo, uma cultura não tão expressiva na região Sul, cresceu no país conforme o levantamento da Conab. Plantado depois do término da janela de plantio do milho, o sorgo é mais resistente a seca e necessita de menos água que o milho. “Essa safra além de aumentar a área de milho segunda safra, também aumentou a área de sorgo, justamente porque havia uma janela de plantio maior e consequentemente uma perspectiva de produção melhor nessa safra”.

Diário da Manhã