CARAZINHO – Estado deve R$ 5 milhões para o município

Praticamente toda a quantia é relativa a atrasos na área da saúde. Deste montante, R$ 1,2 milhão é recurso em atraso exclusivamente do HCC

O Governo do Estado deve para o município de Carazinho cerca de R$ 5 milhões. O montante é relativo aos atrasos do Executivo estadual na área da saúde, setor em que o débito estadual é mais significativo. Conforme o Secretário Municipal da Fazenda, Adroaldo De Carli, o valor devido é resultado de vários anos de atraso.

Além disso, De Carli cita a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que está em funcionamento há quase um ano, mas ainda não recebe repasses do Governo do Estado. Atualmente, o município arca com 85% do custo da unidade, que supera os R$ 500 mil mensais (os outros 15% para a manutenção da UPA vem do Governo Federal).

Ainda conforme De Carli, no mês de janeiro o governo do Estado realizou os repasses dentro do cronograma para a prefeitura. Com isso, a expectativa é de que a normalidade prossiga nos próximos meses e que possa haver a quitação de, ao menos, parte do que o Executivo estadual deve para o município.

– A dívida é de vários anos, não é de um ou dois anos. Mas, esperamos que a partir de agora venha em dia, porque o importante, além da busca dos valores passados, é que tenha uma pontualidade no presente, pois nós precisamos nos organizar financeiramente e se os atrasos seguirem, dá um baque financeiro muito grande. Uma coisa é você trabalhar com a expectativa de receber o passado e outra é você ter a tranquilidade de receber os valores atuais. Esperamos que a partir da posse dos novos congressistas, tanto federais, quanto estaduais, o governo apresente seus pacotes de medidas e que, com isso, a atividade econômica se intensifique para que possa haver mais disponibilidade de recursos – espera o secretário.

Dívida do Estado com o HCC é de aproximadamente R$ 1,2 milhão
Dentro do montante milionário que o Executivo estadual deve para a prefeitura carazinhense, está uma quantia de aproximadamente R$ 1,2 milhão exclusiva do Hospital de Caridade de Carazinho (HCC). Conforme o administrador da casa de saúde, Felipe Sohne, os débitos estaduais são acumulativos de diversos meses.
– As pendências do Estado para com o HCC compreendem 50% do valor de setembro, os meses integrais de outubro, novembro e dezembro do ano passado, além deste mês de janeiro que não foi pago para nós. Mesmo com a mudança de governo e com a promessa de pagamento, seguimos sem receber em dia os valores. O último pagamento que recebemos foi feito no fim de dezembro, quando metade dos valores de setembro de 2018 foram quitados – detalha Sohne.

Conforme o administrador do HCC, esses atrasos acabam dificultando o caixa do hospital, que foi obrigado a recorrer a financiamentos para não parar as atividades. “Sofremos várias dificuldades no nosso dia-a-dia e é uma consequência bastante complicada no nosso fluxo de caixa esses atrasos. Diante disso, o hospital acaba recorrendo a empréstimos bancários para conseguir suprir todas as nossas necessidades. Em 2018 conseguimos fazer uma gestão bem interessante dos nossos recursos financeiros, porém, ao chegar ao fim do ano, vimos a necessidade de pagamento de 13º salário e de alguns fornecedores, o que nos obrigou a, novamente, recorrer a operações bancárias. Neste mês de janeiro nós passamos o mês com uma certa preocupação do que vai acontecer daqui para frente, pois esses recursos obtidos junto aos bancos, o hospital precisará pagar em breve, aí se não houver a quitação dos valores em atraso vai, com certeza, nos complicar”, relata preocupado Sohne.

Novo governo deverá anunciar plano de pagamentos
Por outro lado, o administrador do HCC confia que nas próximas semanas o governo estadual deverá anunciar uma medida que visa quitar os débitos do Executivo do RS junto às casas de saúde gaúchas. De acordo com Sohne, o programa a ser anunciado deverá seguir os moldes do Fundo de Apoio financeiro e de recuperação dos hospitais privados, sem fins lucrativos e hospitais públicos (FUNAFIR), lançado ainda na gestão passada por José Ivo Sartori.

O fundo, conforme Sohne, consiste basicamente na aquisição de um novo financiamento pelas casas de saúde junto ao Banrisul no valor da dívida do Estado para com o respectivo hospital. Porém, as parcelas deste empréstimo são pagas pelo Executivo gaúcho.

Enquanto nenhuma alternativa aos atrasos é disponibilizada, a direção do HCC comemora a forma de gestão que a casa de saúde possui. “Graças a gestão plena que nós temos no hospital aqui de Carazinho, nós conseguimos alguns recursos repassados diretamente pelo Ministério da Saúde e outros advindos da prefeitura, que inclusive, além de contribuir na cobertura de parte dos atrasos do Estado, auxilia no pagamento do déficit que o HCC tem nas operações, já que o valor que recebemos via SUS é defasado, em relação ao custo que possuímos na realização de diversos procedimentos”, detalha o administrador do HCC.

Diário da Manhã