SIMERS defende médico envolvido em polêmica em Soledade

Entidade enfatiza que médico não está apto a conceder atestados periciais

Após toda a polêmica envolvendo um médico que demorou para conceder um atestado relacionado a uma ocorrência que envolveu o atendimento da Brigada Militar na madrugada desta quarta-feira, 07/02, o responsável pela direção do interior do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul (Simers), Fernando Hubert conversou com a reportagem da Tua Rádio Cristal e afirmou que a entidade defende o médico em relação a sua conduta adotada neste caso.

“Fomos ainda informados ontem pelo próprio profissional a respeito da situação. Manifestamos nosso repúdio em relação condenação do médico que foi efetuada nas redes sociais. Queremos destacar que ele não cometeu nenhuma irregularidade, nenhuma infração ética na sua atuação como médico, realmente não é sua função e ele tem todo o suporte perante o ponto de vista da legislação que regula a atividade médica para não confeccionar atestados periciais, ele não é um médico perito, não tem especialidade e nem formação para isto”, destacou Fernando.

Quanto à demora em atender a solicitação da qual os policiais militares estavam envolvidos Hubert comentou que na verdade a demora não se justifica por esse ponto de vista, já que o profissional teria opção ou de fazer o atestado não pericial, o que seria na verdade um atestado que apresentaria alguma alteração física naqueles pacientes que foram levados pela Brigada Militar, ressaltando que este não serviria para fins periciais ou então simplesmente não conceder o atestado.

“Como referi, ele não tem especialidade para isso, ele tem o direito de se negar a fazer o exame pericial, pois não se tratava de nenhum caso de urgência e emergência naquele momento”, disse.

Em relação a outros casos semelhantes a estes em que o Simers acompanhou nos últimos períodos em todo o Estado do Rio Grande do Sul, a orientação da entidade para com os profissionais médicos não especializados em perícia é de que evitem conceder estes tipos de atestados, encaminhando os pacientes ao DML ou então liberando o atestado, mas deixando claro que este não tem finalidade pericial.

Entenda o fato
A Brigada Militar de Soledade teve uma madrugada desta quarta-feira, 06/02, de muito trabalho no bairro Expedicionário em Soledade. Uma ocorrência de perturbação de sossego começou as 3h da manhã e terminou só as 9h.

Tudo começou no bairro Expedicionário, na Rua Lauro Albuquerque, onde novamente a Brigada Militar recebeu uma denúncia de que havia uma festa sendo realizada com muito barulho e som alto, o que acabava atrapalhando o descanso dos moradores da região.

Segundo a BM, aquele local já é conhecido por ter festas e atividades nas madrugadas, tanto é que há pouco menos de um mês já esteve realizando uma atuação naquele local e recolheu diversos aparelhos de um veículo que colocava som na residência.

Chegando no local a Brigada Militar de Soledade foi recebida com pedradas e tijolos. Ao descer, os policiais utilizaram de tiros com bala de borracha para conter o ânimo dos jovens que atiravam pedras na polícia e, um deles, tentou atingir um policial com uma faca, sendo contido.

Do local, onde haviam pelo menos dez jovens, quatro foram detidos: dois maiores de idade, sendo um deles preso em flagrante por corrupção de menores já que se tratava do proprietário da casa e os menores estavam ingerindo bebidas alcoólicas; e dois menores de idade que foram apreendidos, um deles, com dois tiros de bala de borracha na barriga e braço pois este seria o que tentou agredir o policial com uma facada.

A partir daí, às 4h30 da manhã, os policiais militares encaminharam os detidos para o Hospital Frei Clemente para que os exames de corpo de delito fossem realizados e a ocorrência fosse lavrada na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA)

Lá, os policiais solicitaram que o médico atendesse os detidos e foram informados que aguardassem. Às 6h10 da manhã, sem a vinda do médico, os policiais questionaram o porquê o profissional ainda não tinha atendidos e foram avisados que o médico plantonista não os atenderia antes das 7h30 da manhã, já que estaria cansado.

Os brigadianos, revoltados com a situação que se repete sempre com o mesmo médico, foram até a casa do presidente do Hospital Frei Clemente, Sebastião Avani da Silva para que ele ajudasse a chamar o médico para atender a ocorrência o que de fato aconteceu após a pressão do presidente.

Mesmo contra sua vontade, o médico atendeu a ocorrência e liberou os policiais e os detidos para que registrasse o caso na DPPA. A ocorrência terminou às 9h da manhã na Delegacia.

Os dois adolescentes, uma menina e um menino, foram ouvidos e liberados na presença do Conselho Tutelar e familiares. Um maior de idade foi ouvido e também liberado. O outro, preso em flagrante por corrupção de menores, foi ouvido e liberado para responder ao processo em liberdade mediante pagamento da fiança no valor de R$ 2 mil.

Rádio Cristal