PASSO FUNDO – Contribuindo para um mundo de inclusão

Estudante do Mestrado em Envelhecimento Humano da UPF, Alex Luís Emiliavaca realiza atividades esportivas com deficientes auditivos

Os desafios enfrentados por pessoas com deficiência auditiva são vários. Além do preconceito, existe a questão da acessibilidade, que, muitas vezes, não atende todas as necessidades de quem precisa de alguma ajuda. Tentando fazer a diferença, o estudante Alex Luís Emiliavaca, do Mestrado em Envelhecimento Humano da Universidade de Passo Fundo (UPF), desenvolve trabalhos relacionados ao esporte no município com essa parcela da população.

Uma das suas ações acontece em conjunto com o Polo Regional de Desenvolvimento de Esporte e Lazer, projeto de extensão ligado à Vice-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários e à Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (Feff) da UPF, em parceria com a Associação dos Surdos de Passo Fundo (ASPF), a Associação de Pais e Amigos dos Surdos (APAS) e demais colaboradores. O projeto apenas continua, pois as associações são importantes no processo de engajamento social das pessoas surdas. Na parceria, Emiliavaca orienta o atleta Pedro Henrique Rocha de Oliveira, integrante da equipe de futsal da ASPF, em atividades como cidadão, esportista e estudante. “Treino o time de futsal de surdos de Passo Fundo, que está se destacando no estado e no país. Os nossos treinos ocorrem conforme a disponibilidade de horários, locais disponíveis e profissionais. Procuramos realizar os treinos três vezes por semana: dois de quadra (tática e técnica) e um físico”, comenta.

A intensa dedicação trouxe resultados positivos para a modalidade esportiva. “Em 2018, a seleção brasileira classificou-se em segundo lugar nas Eliminatórias Pan-Americanas de Futsal de Surdos e disputará a Copa do Mundo de Futsal, na Suíça, em novembro de 2019. O Pedro fez parte do grupo como surdoatleta e foi um dos artilheiros da competição, com 7 gols. Além disso, também em 2018, Pedro foi indicado na categoria Atleta do Prêmio Destaque Esportivo da Prefeitura de Passo Fundo. Por fim, em 2017, a seleção gaúcha de futsal de surdos sagrou-se tricampeã no Campeonato Brasileiro de Futsal de Surdos. Pedro, juntamente com o jogador Andrei Sabadin dos Santos e o goleiro Hiago Zanon, esteve presente nesta conquista”, conta Emiliavaca.

Na opinião dele, a participação dos jogadores em eventos importantes é um marco na história da comunidade surda de Passo Fundo e região. “Isso destaca o esporte adaptado no cenário municipal e possibilita novas vivencias para os atletas, principalmente aqueles que não possuíam nenhuma perspectiva, e hoje, com o esporte, estão transformando suas vidas”, acredita.

A necessidade de se dar atenção aos portadores de deficiência
Desde 2015, Emiliavaca está envolvido em ações com a população surda através do Polo Regional de Desenvolvimento de Esporte e Lazer. “Após concluir a graduação, continuei um ano como voluntário, e hoje, como mestrando, pretendo realizar a pesquisa com este grupo de pessoas. Vale ressaltar que atuo como guia de corrida, de deficientes visuais, e como professor de xadrez, experiências estas que contribuem em minhas atividades de inclusão”, relata.

No Mestrado em Envelhecimento Humano, o profissional, sob a orientação do professor Dr. Adriano Pasqualotti, pretende realizar um estudo para avaliar o centro de gravidade e equilíbrio estático e dinâmico de pessoas surdas. “Para tal, buscarei dois grupos: um de surdos que possuem uma vida ativa (serão os atletas da ASPF) e um grupo de pessoas ouvintes para ter como parâmetro. A partir disto, realizarei os testes necessários com o intuito de investigar acerca da influência da surdez no centro de gravidade das pessoas”, disse Emiliavaca.

Para ele, a sociedade ainda não dá a devida importância ao esporte para surdos ou para qualquer outra deficiência. “Busco participar de editais de projetos para aquisição de materiais esportivos, deslocamento para viagens em função do não apoio de muitas empresas, mas a dificuldade é grande. Penso que há muito o que se evoluir nos esportes. Falta conhecimento da população em relação à prática esportiva por uma pessoa com limitações. As pessoas com deficiência não são diferentes, apenas possuem regras adaptadas nos esportes. Um surdo pode jogar, nadar, correr. Um cego pode nadar, pedalar, correr. Um exemplo é o acadêmico de Educação Física da UPF, Sidinei Avila, que é deficiente visual e que me tem como seu guia de corrida”, finaliza.