À procura do Caminho

Uma das questões mais importantes de nosso tempo é a busca pelo sentido da vida. A festividade da Epifania faz memória dos três reis do oriente, provavelmente chefes religiosos, que puseram-se a caminho, guiados por uma estrela, para adorar o rei dos judeus que acabara de nascer. Tudo começa com algo muito simples: “Nós vimos a sua estrela no Oriente” (Mt 2,2). Eles se puseram a caminho, para encontrar o Caminho, isto é Jesus Cristo. Os movimentos realizados pelos magos nos indicam um itinerário para a busca do sentido da vida. Esta, sem dúvidas, é uma das grandes perguntas do ser humano de todos os tempos. Esta pergunta é humana, existencial, fundamental e intransferível.

O primeiro movimento dos reis magos foi a busca, a inquietude, o perguntar-se. No caso deles, perguntaram-se sobre o movimento dos astros. Sabemos nos fazer a pergunta correta? Ela está voltada para um objetivo autocentrado ou no desejo de “passar pelo mundo fazendo o bem” (At 10,38), como Jesus? Neste sentido, o Papa Francisco, falando aos jovens disse: “Muitas vezes na vida perdemos tempo nos perguntando: “Quem sou eu? Você pode se perguntar quem você é e ter uma vida inteira procurando quem você é. Mas pergunte: para quem eu sou?” (8 de abril de 2017). A lógica da vida humana nos aponta para o dom de si como a única possibilidade de dar sentido à vida que recebemos como um presente de Deus. O Papa Bento XVI nos diz que uma das razões pelas quais muitos têm dificuldade de encontrar a estrela que os guia é a falta de humildade e coragem em crer no que é grande. “A demasiada segurança em si mesmos, a pretensão de conhecer perfeitamente a realidade, a presunção de já ter formulado um juízo definitivo sobre as coisas tornam os seus corações fechados e insensíveis à novidade de Deus” (Homilia, 06 de janeiro de 2010). Mas, não menos significativo é o drama do sofrimento que vivem muitos jovens e adultos, que são cooptados pelo mundo da droga e enveredam pelo caminho da violência, ou que são filhos de famílias pobres. Como ajudar a estes sonharem com um caminho que dê sentido à sua vida e os faça felizes?

O segundo movimento dos magos foi a atenção aos sinais. Eles se guiaram por uma estrela. Este ponto é mais difícil, visto que é preciso cultivar a atenção para perceber o que faz sentido, o que é significativo e procurar ler estes sinais para a vida. Aqui é importante ter um conselheiro, alguém que acompanha. Através dos sinais a luz é projetada sobre a vida. Para ninguém o caminho e muito menos o futuro são clarividentes. E, normalmente, um sinal ilumina, dá sentido a outros sinais, ajudando-nos a traçar um projeto, a colocar marcos na estrada (cf. Jr 21,31).

O terceiro movimento é colocar-se a caminho. O que nos espera? Como será o amanhã? Cresce o número, sobretudo de jovens, que preferem não apostar em grandes ideais na vida, que vivem dependentes dos pais, os NEET (não à educação, emprego ou treinamento). É preciso arriscar. O importante é confiar em Deus e ousar. “Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos te são bem conhecidos” (Sl 139,3).

A bela surpresa é que o caminho dos reis magos desemboca na adoração àquele que é o Caminho, Jesus Cristo, luz que ilumina os povos. Todas as vezes que nos encontramos com Cristo abrem-se os nossos olhos para ver a vida, os outros e a realidade de outra maneira. Ao segui-lo descobrimos que cada dia que Deus nos dá é um presente para servir e amar, como Jesus Cristo.

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta