Produtores precisaram replantar 20% das lavouras

Situação de nova semeadura ocorre após a proliferação de fungos, aumentando os custos de implementação da safra

O plantio da soja no Rio Grande do Sul está quase finalizado. Mas enquanto alguns produtores terminam o plantio, outros têm de replantar as sementes. Segundo o engenheiro agrônomo da Cotrijal, Fernando Martins, essa situação tem ocorrido em pelo menos 20% das lavouras do Rio Grande do Sul, de uma forma geral. Para ele, o clima desfavorável, com temperaturas baixas e excesso de água no solo, motivou a proliferação de fungos e a nova entrada na lavoura para plantio.

“Além desse problema de fungo, é preciso considerar o problema de compactação do solo. A semente encontra um ambiente não muito favorável para se estabelecer e sofre um pouco mais para essa emergência inicial. Esse sofrimento é de gastar mais energia, o vigor que ela possui, de gastar as reservas que ela [semente] tem para fazer esse procedimento de emergência rápido”.
Com isso, o custo com sementes, fertilizantes e combustíveis das máquinas aumenta de forma significativa.

Martins explica que os problemas, de ordem climática, poderiam ter sido evitados caso o produtor não antecipasse o plantio da oleaginosa.

“Neste último ano, tivemos talvez a maior antecipação da época de plantio, foi esquecido que é o período em que sempre vamos ter, pelo histórico da nossa região do Rio Grande do Sul, temperaturas mais baixas. Estamos expondo uma situação de semeadura a condições inadequadas para o estabelecimento e emergência das plantas”, pondera.

A estimativa de 20%, até o momento, já pode ser considerada alta. O agrônomo ressalta que em determinadas áreas o replantio foi baixo e em outras com maior intensidade. “Eu me recordo de um elevado número de replantio na época em que se cultivava o plantio convencional, em que a lógica era revirar o solo e qualquer chuva que desse levava todas as sementes. Dos últimos anos para cá, houve ressemeaduras, mas em ocasiões pontuais.

Nesse ano foi uma questão de que todo o estado está sofrendo com esse problema, justamente porque em todas as regiões tiveram excesso de chuva e um mês de outubro com temperaturas amenas”. Ainda de acordo com o engenheiro, é cedo para avaliar possíveis reduções na produtividade da safra.

“Tudo começa por uma boa semente”
O processo de plantio da soja obedece a uma lógica, de acordo com Martins, ‘muito simples’. “É preciso ter uma semente de qualidade fisiológica, com germinação e vigor necessário para iniciar o processo germinativo e emergir desse solo, que é o que se espera de uma boa semeadura. Tudo começa por uma boa semente”.

Ele explica que quando se leva uma semente, com alto poder de germinação e vigor para o solo, a complexidade aumenta. “Não é apenas a semente que está ali para germinar, ou seja, temos a influência da temperatura deste solo e a influência da água. A semente para começar o processo germinativo precisa absorver 40% do seu peso em água para iniciar o processo de embebição e começar o processo germinativo, que é a emissão da radícula”.

Quanto mais rápida essa emissão de radícula e emergência do solo, menores são as condições para fungos atingirem a cultura.

“O fungo só precisa de uma condição: água em excesso no solo e temperaturas mais baixas. Esse foi um ano em que tivemos um encharcamento excessivo e temperaturas na média de 15ºC do solo”.

Para fazer com que o procedimento de emergência da semente seja mais rápido, Martins salienta que é necessário o registro de temperaturas mais elevadas e solo mais seco, tudo o que não aconteceu nesta safra.

“Temos certeza absoluta que muitas das condições que encontramos no campo foram essa associação de um clima totalmente desfavorável para a semente se estabelecer no solo de forma rápida e emergir para que encontrasse uma condição ótima de crescer rapidamente.”

Diário da Manhã