Conclusão da Visita Pastoral

Após três anos, nesta semana, tenho a alegria de concluir a minha primeira visita pastoral a todas as 555 comunidades de nossa Diocese de Cruz Alta. No dia 15 de março de 2015 iniciei minha missão como pastor diocesano desta porção do Povo de Deus. Na ocasião, afirmei três convicções metodológicas que trazia comigo, da minha experiência de vida presbiteral: a consciência de que entramos no caminho em que outros trilharam e se doaram, desejando ter uma atitude de muita gratidão e respeito pela história da Diocese; o desejo de estar próximo de todas as realidades presentes na Diocese; e a certeza de que a evangelização é uma obra coletiva, na comunhão diocesana, com os leigos, religiosos, padres e o bispo. Por isso, foi importante, nos anos 2016 a 2018, conhecer toda a Diocese, com suas 32 paróquias.

Mais do que um dever (cf. Código de Direito Canônico, can. 396&1), é parte da missão do bispo ser elo de comunhão e animador do caminho de evangelização. “A visita pastoral é, portanto, uma ação apostólica que o Bispo deve cumprir, animado daquela caridade pastoral que o apresenta concretamente como princípio e fundamento visível da unidade na Igreja particular” (Lumen Gentium, n. 23). De fato, a visita teve dois objetivos claros: a) Conhecer as pessoas, os lugares, as comunidades, a história da igreja viva aí presente, a cultura e, assim, favorecer que os católicos pudessem se aproximar e conhecer melhor o bispo diocesano. Quis expressar visivelmente a comunhão diocesana, mostrando que, em cada comunidade, pequena ou grande, é o rosto da Diocese que está ali presente. b) Esta comunhão diocesana se concretiza num caminho pastoral que procuramos juntos trilhar, com orientações e projetos comuns e claros para todas as comunidades. Temos um Plano da Ação Evangelizadora e um Regimento Administrativo das Comunidades.

A preparação foi feita com uma visita missionária a todas as famílias da Paróquia, por leigos da própria comunidade. Buscamos retomar o projeto da missão permanente, já iniciado em 2008 e que, em muitas paróquias, estava adormecido. Com o padre da paróquia vivemos momentos de oração em comum, convívio fraterno e oportunidade para tratar de assuntos pessoais, pastorais e administrativos. Juntamente com o Coordenador de Pastoral ou Vigário Geral que me acompanharam, tivemos a oportunidade de conhecer cada comunidade e dialogar sobre as expectativas e dificuldades que cada comunidade vive. Muito frutuoso foi o encontro com as lideranças da paróquia. Visitamos também as autoridades locais, como o prefeito municipal. Estivemos nas casas de religiosas residentes na paróquia, escolas, hospitais, asilos, universidade, rádio e jornal, casas de detenção, comunidades quilombolas e comunidades terapêuticas de recuperação de toxicodependentes.

Nos próximos meses publicarei uma Carta Pastoral, intitulada Adultos na fé, na qual faço um relato de toda a Visita, manifestando gratidão a todos os que nos precederam, bispos, padres, religiosos e religiosas e uma multidão de leigos e leigas que animam a caminhada evangelizadora de nossas comunidades. Confirmamos um caminho que já estamos trilhando, procurando responder aos desafios da crescente secularização. O ponto central é uma crise de fé. A resposta é a Iniciação à Vida Cristã, proposta para toda a Igreja no Brasil e já assumida por nossa Diocese. A formação do discípulo missionário deve levar “ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude” (Ef 4,13). Tende à maturidade da fé, acolhida como dom, personalizada num itinerário pessoal e eclesial, iluminada constantemente pela Palavra de Deus, celebrada nos sacramentos, especialmente na Eucaristia, testificada pela caridade e a misericórdia, sendo no mundo “sal e luz”, sinais do Reino de Deus. Enfim, juntos temos “um longo caminho a percorrer” (1Rs 19,7).

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta