CARAZINHO – O apelo pela solidariedade

Dentro dos limites aceitáveis, o banco de sangue do HCC não tem sangue faltando hoje, porém, há aproximadamente 15 dias, o estoque de sangues negativos era considerado muito baixo, por isso o apelo pela doação

Sempre trabalhando em cima de campanhas para doação de sangue, os bancos de sangue sofrem com a instabilidade o ano inteiro, porém, é na época de fim de ano que a preocupação aumenta. Segundo a coordenadora de captação de doadores do Hemopasso em Passo Fundo, Alexandra Mazzoca, em anos anteriores, do dia 15 de dezembro até o pós-carnaval, já registrou-se uma queda de até 50% no número de doações. “Isso compromete bastante o nosso estoque, por isso a gente faz um apelo para quem sai de férias, que faça a doação antes de viajar, para que haja essa mobilização”, destaca Alexandra.

A situação crítica é com a arrecadação dos sangues A, B e O negativos e, de acordo com Alexandra, a necessidade de sangue não termina, é sempre uma constante a busca para que mais pessoas doem e com mais frequência. “O paciente internado não tira férias, as pessoas precisam ter essa consciência, por isso a gente desenvolve vários trabalhos com os doadores, fazemos convocações, para tentar organizar a agenda de maneira que tenhamos sempre sangue na validade”, comentou a coordenadora, que ressalta que a questão da validade é um grande desafio. “O concentrado de hemácia dura 15 dias, de plaquetas cinco. Então, estamos sempre correndo contra o tempo”, complementou Alexandra.

A coordenadora explica também que eles estão sempre contando com os doadores fidelizados, porém, algumas pessoas esquecem, por isso a importância de que se conscientize sobre o assunto, para que se torne um hábito. O indicado é que os homens doem sangue quatro vezes ao ano e as mulheres três vezes.

HCC
Em Carazinho, o estoque do banco de sangue está dentro dos limites aceitáveis, segundo a enfermeira supervisora da agência transfusional do Hospital de Caridade de Carazinho (HCC), Mari Luciane Bernhard, porém, não se pode dizer que a situação está normalizada. “Não temos sangue faltando hoje, porém, há uns 15 dias, o sangue negativo estava com o estoque muito baixo no Hemopasso”, conta.

– Fizemos uma campanha emergencial recentemente, para encontrar doadores de sangue negativo, porque o estoque estava praticamente zerado. Hoje, não temos esse tipo de problema, mas continuamos solicitando que as pessoas doem – comentou a enfermeira.

Sobre a questão da baixa nos estoques no fim de ano, Mari relata que a tendência é que baixem os estoques e ressalta que as pessoas se lembrem de doar e agendem no Hemopasso, para que possa haver uma organização da agenda. “Nós fizemos um levantamento e analisamos que fazemos cerca de 150 transfusões ao mês. Sempre precisamos de doações, porque sangue é necessário, quando não é por doença, é por acidente”, complementou a supervisora.

Demanda de fim de ano
Infelizmente, nesta época do ano, segundo Alexandra, a demanda por sangue é maior, pois acontecem mais acidentes de trânsito. “Por mais que os órgãos de trânsito se mobilizem, a estrada é o principal fator de risco”, afirmou a coordenadora, que ressalta que isso é uma demanda, além dos pacientes que fazem tratamento e que também utilizam sangue do banco.

Segundo Alexandra, existem períodos em que o banco de sangue consegue “respirar” com mais tranquilidade, principalmente depois de campanhas externas, quando se consegue fazer um bom volume de doações. “Ultimamente, a distribuição tem sido crescente, porque temos pacientes com problemas oncológicos, que utilizam bastante e, é claro, nossos hospitais atendem uma complexidade maior. O próprio hospital de Carazinho vem crescendo a cada dia, passando a atender outras áreas, isso faz com que a demanda aumente e os doadores também precisam aumentar”, frisou a coordenadora.

Diário da Manhã