Concessão transformará a realidade da BR 386

Além da duplicação, que deverá iniciar em 2022, nova concessionária terá de investir em uma série de melhorias que tornarão a rodovia em uma autoestrada de alto padrão

Após anos de tratativas, o projeto de melhoria e duplicação da BR-386, chega enfim a uma fase de implementação. Idealizado na forma da Rodovia Integração Sul, que abrange também as rodovias federais BR-101, BR-290 e BR-448, o processo já foi a leilão, que concedeu ao grupo CCR a administração de todo trecho por 30 anos.

“O governo federal publicou um edital, no início de 2016, muito confuso. Em 2017, após uma série de audiências públicas, conseguimos evoluir muito em relação às melhorias das obras e tarifas”, aponta Idioney Oliveira, diretor do campus Soledade da Universidade de Passo Fundo (UPF), que acompanha o processo de concessão. “Houve uma série de mobilizações e pressões feitas pela nossa prefeitura e por outras entidades para motivar o governo a implementar nasa possibilidade de aumento de território. Na verdade a ideia era que esse trecho duplicado fosse até Santa Catarina, mas minimamente o que era pretendido é que viesse até Carazinho”, complementa o Secretário de Desenvolvimento Econômico de Passo Fundo, Carlos Eduardo Lopes da Silva.

Segundo Oliveira, um dos primeiros entraves era a localização das praças, em especial uma delas, que seria instalada em Mormaço. O esforço então foi realocar esse ponto para a divisa entre Victor Graeff e Santo Antônio do Planalto. “Do contrário, todo esse fluxo de Soledade, Arvorezinha, Barros Cassal e Passo Fundo, seria muito onerado com esses pedágios”, relata.

Rodovia de alto padrão
Oliveira reitera que a nova rodovia a tornará uma das mais importantes do Estado. “Não existirão mais tantos acessos diretos à rodovia, pois como ela vai ser uma autoestrada, existirá apenas os trevos e alguns pontos de retorno, para que seja possível acessar pequenas comunidades. Nas proximidades de Soledade, por exemplo, a previsão é instalar um trecho considerável de faixas adicionais. Assim, se você vem de Passo Fundo a Porto Alegre, não haverá mais o trânsito urbano na rodovia, que será repassado às marginais, incluindo passagem subterrânea. A rodovia terá câmeras de monitoramento, para aumentar a segurança viária. O projeto é de alto padrão, comparável às rodovias Via Dutra e FreeWay”, revela.
Idioney aponta a agilidade como ponto principal do contrato: “A partir do momento em que a concessionária assumir a rodovia, que ocorrerá em fevereiro de 2019, o grupo terá de promover melhorias imediatas em todo trecho concedido, como tapar buracos, disponibilizar acostamento, e a sinalizar adequadamente. E no terceiro ano, a concessionária trabalhará o início da duplicação entre Marques de Souza e Lajeado, no trecho restante da serra”.

Agilidade no retorno
O diretor do campus Soledade indica que o andamento da obra não será tão burocrático: “Quando foi construída a BR-386, o projeto já incluía a área de domínio para a duplicação, então já é uma área liberada para isso. Existem algumas questões ambientais, que a concessionária terá três anos para resolver”, aponta.

Para Silva, o plano é um grande avanço: “O prazo de retorno de investimentos na rodovia foi diminuído, e também a exigência da duplicação, que era um item que não era contemplado, o que é um grande passo naquilo que preza como o retorno do investimento do contribuinte, que é quem vai pagar o pedágio”. Oliveira comemora o resultado: “O grupo tem uma grande expertise no ramo, administra trechos de grande importância no país, tem estrutura e aporte financeiro para o projeto, e quem vai fiscalizar é o Tribunal de Contas da União, ou seja, é um órgão altamente qualificado”.

Duplicação pode inflar desenvolvimento de Carazinho
Para o vice-prefeito de Carazinho, Fernando Sant’Anna de Moraes, a duplicação deve ajudar no desenvolvimento econômico do município devido às questões logísticas e de transporte. Moraes justifica que após a conclusão das obras o município deve ficar em evidência devido ao trânsito mais fluido. “Não sei se a duplicação chegará até o Trevo da Bandeira, mas, de qualquer forma, com a vinda dessa duplicação, Carazinho ficará mais em evidência e, com um trânsito fluindo, a logística vai se tornando referência, vai abrir um leque para mais empreendimentos na nossa cidade”, destaca.

No contrato com a empresa vencedora da licitação, fica definido a duplicação da BR 386 entre os quilômetros 178,5 e 286; 310,5 e 344,4; 385 e 444,3; 285 e 310,5. No Trevo da Bandeira está localizado o quilômetro 178, podendo ter a duplicação a partir do início do trecho.

Apesar da possibilidade de duplicação, Moraes critica o valor fixado nas praças de pedágio, em R$ 4,30, mas aponta que o valor ainda é uma “vitória” diante dos quase R$ 8,00 cogitados em antigas audiências. “O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não tem dado valor para as rodovias – critica. “Por isso que a primeira atitude será o tapa-buraco. Mas a preocupação, minha e de muita gente, é valor do pedágio. Eu gostaria de pagar R$ 2,00, R$ 2,50, no máximo, mas como estava em quase R$ 8,00, é melhor”, pontua.

Os trechos que serão concedidos totalizam 473,4 quilômetros, sendo 87,9 quilômetros na BR-101, 98,1 quilômetros na BR-290, 21,6 quilômetros na BR-448 e 265,8 quilômetros na BR-386.

Diário da Manhã