Daer promete melhorias na ERS 142

Intenção do Departamento é incluir as reformas na via nas ações a serem executadas pelo Crema, de Passo Fundo

Um dos piores problemas enfrentados nos últimos anos pelos motoristas da região – a falta de investimentos do governo estadual na ERS-142, especialmente no trecho de 20 quilômetros entre os municípios de Carazinho e Não-Me-Toque – parece estar mais próximo de um desfecho. De acordo com Rogério Uberti, diretor-geral do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer/RS), atualmente, estão sendo conduzidos estudos para incluir as reformas estruturais da via nas ações a serem executadas pelo Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias (Crema), de Passo Fundo, ainda neste segundo semestre de 2018.

– O Daer esclarece que esse processo está na fase de orçamento para a inclusão do trecho no Crema Passo Fundo, como aditivo contratual. As empresas que executarão essas obras são do consórcio Mac-Traçado-Construbras e os recursos, por sua vez, serão oriundos do Banco Mundial – esclarece Uberti.

O diretor também explica que “o Daer pretende aprovar esse aditivo o mais breve possível e iniciar as obras ainda neste semestre”. Nesse contexto, vale ressaltar que não são poucas as melhorias reivindicadas pela população e pelas autoridades da região. Além da enorme quantidade de buracos na ERS 142 (problema recorrente ao longo dos anos), a via não tem acostamento e apresenta faixas de rolamento estreitas. No pacote, ainda é possível incluir o grande número de curvas e problemas relacionados à sinalização. Todas essas questões colaboram para que o índice de acidentes graves no trajeto se perpetue ano após ano.

Sem esclarecer quais serão as melhorias contempladas pelo aditivo, Uberti cita apenas que “o projeto de restauração do trecho já está definido e aprovado pela Diretoria de Gestão e Projetos (DGP) do Daer” e que “as demandas mais urgentes já estão explicitadas no projeto”. Contudo, o órgão não informa de quanto será o investimento total e nem quando as obras deverão iniciar.

Irregularidades
Nesse contexto, recentemente, o vereador não-me-toquense Charles Morais solicitou ao DAER o acesso aos documentos referentes à ERS-142 a fim de verificar possíveis irregularidades presentes no trecho. “Nós últimos anos, o Daer tem apenas realizado ações de recapagem e tapa-buracos, mas o que precisa ser arrumado permanece sendo empurrado. Então, solicitei esses documentos e, partir deles, pude verificar algumas irregularidades”, diz.

Entre essas irregularidades, Morais destaca a largura da rodovia, que não segue o padrão ideal. “Toda rodovia do tipo 3, como é a ERS-142, tem a obrigatoriedade de ter sete metros de largura. Entretanto, ao olhar os laudos técnicos e até mesmo ao fazer a medição pessoalmente, constatei que existem pontos na pista com apenas seis metros e 20 centímetros, outros com seis metros e 15 centímetros e outros que não passam dos seis metros. Sem falar do desnível que pode ser observado por qualquer pessoa”, esclarece o vereador, que prossegue:
– Na época em que Não-Me-Toque realizou a Expodireto, no mês de março, o Daer chegou a fazer um recapeamento que ficou longe de ser um real conserto. Nós cobramos por esses sete metros e, mais uma vez, eles não foram entregues. Então, ficam os questionamentos: para onde foi esse dinheiro? Onde está esse metro que foi cobrado? Quantos acidentes ele poderia ter evitado? Estamos cansados de promessas e não queremos um trabalho mal feito. Essas camadas e mais camadas jogadas por cima do asfalto só aumentam os desníveis e os acidentes – salienta Morais.

Reivindicação antiga
Construída entre os anos 1954 e 1957, a via asfáltica da ERS 142 é uma das mais antigas do Estado e a falta de investimento vem dificultando o pleno desenvolvimento econômico da região, sobretudo no escoamento da produção dos setores agrícola e industrial. Por conta disso, ao longo dos anos são frequentes as reivindicações regionais por melhorias junto ao governo estadual.

Diário da Manhã