O discernimento no caminho dos jovens

De 3 a 28 de outubro acontece a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em Roma, com o tema Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. O caminho preparatório evidenciou uma metodologia de presença da Igreja junto aos jovens, como já tinha sido sublinhado nos sínodos sobre a família: presença, acompanhamento e discernimento. Santo Irineu nos recorda que Jesus se fez “jovem com os jovens, tornou-se seu modelo e os santificou para o Senhor” (Contra as heresias, II, 22.4). Jesus segue, hoje, esta mesma lógica querendo encontrar-se com os jovens e caminhar com eles como o fez com os discípulos de Emaús.

“O Sínodo pretende cuidar de todos os jovens, sem exclusão alguma, oferecendo a possibilidade de acompanhá-los no processo que conduz à clareza e à verdade sobre si, a acolher o dom da vida e a encontrar o contributo que são chamados a oferecer à sociedade e ao mundo” (Documento de Trabalho, n. 109). O objetivo é que todos os jovens consigam descobrir a vontade de Deus sobre suas vidas e realizem sua missão na Igreja e no mundo. O processo passa por três momentos: reconhecer a realidade existencial e social dos jovens de hoje, com todas as suas alegrias e tantos desafios; interpretar toda a vida à luz de Jesus Cristo e da Escritura; e escolher, assumir com alegria a missão que o jovem se sente desafiado.

O discernimento não está unicamente ligado à escolha certa do estado de vida: o matrimônio, a vida consagrada ou a vida sacerdotal. O discernimento é uma dinâmica que acompanha a vida toda, no complexo processo de reconhecimento e acolhida da vontade de Deus. É claro que, para os jovens, o discernimento da vocação tem uma especial importância, pois é a etapa da vida própria para isto. Porém, o discernimento pode ser moral diante de uma escolha que se está por realizar; discernimento de um compromisso social ou da profissão ou até um discernimento espiritual, para reconhecer o bem e a verdade. Por isso, “o discernimento é também um estilo de vida” (Documento de Trabalho, n. 111).

A possibilidade do discernimento, para nós cristãos, é baseada numa convicção de que o Espírito Santo age em cada pessoa, na sua consciência. É preciso saber escutar, prestar atenção à voz interior que revela os sentimentos, desejos e ideias. Igualmente indispensável é ter uma visão crítica sobre o mundo em que estamos inseridos. Porém, muitos jovens e, também adultos, não conseguem conectar a busca do sentido da vida ao transcendente, a Deus. Permanecem num nível humano, social, psicológico, que são importantes, mas não consegue oferecer resposta à pergunta fundamental do ser humano sobre o sentido da vida.

Por isso, a Igreja propõe aos jovens a continuidade de um caminho já iniciado na catequese, isto é, o caminho do discipulado de Jesus Cristo. Caminhando “na estrada de Jesus”, Ele os convida a reconfigurar a vida, a integrar e dar sentido a cada momento a partir de um centro, a partir da fé no Cristo Ressuscitado, que vive e oferece sentido a cada coisa. Cativado pelo olhar de amor do Mestre (cf. Mc 10,21), coloca a grande questão de sua vida nas mãos dele: “Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?” (Mc 10,17). Para quem vive com seu discípulo, sempre irá perguntar: Bom Mestre, qual a vocação que pensaste para mim ainda antes que eu nascesse? (cf. Jr 1, 5); Bom Mestre, é esta a pessoa certa para juntos construirmos uma família?; Bom Mestre, qual o modo que eu posso ajudar nosso mundo a ser mais feliz e humano?; Bom Mestre, o que significa a ansiedade que hoje estou vivendo? Este é o modo correto de perguntar-se, que conduz ao discernimento a partir da fé em Jesus Cristo.

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta