O profissional da área de Linguagens

Manoel de Barros, poeta mato-grossense, apresenta em seu poema a condição de “escovar palavras”:

“Eu tinha vontade de fazer como os dois homens que vi sentados na terra escovando osso. No começo achei que aqueles homens não batiam bem. Porque ficavam ali sentados na terra o dia inteiro escovando osso. Depois aprendi que aqueles homens eram arqueólogos. E que eles faziam o serviço de escovar osso por amor. E que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam enterrados por séculos naquele chão.

Logo pensei de escovar palavras. Porque eu havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. Eu queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras. Eu já sabia também que as palavras possuem no corpo muitas oralidades remontadas e muitas significâncias remontadas. Eu queria então escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma. Para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda bígrafos.

Comecei a fazer isso sentado em minha escrivaninha. Passava horas inteiras, dias inteiros fechado no quarto, trancado, a escovar palavras. Logo a turma perguntou: o que eu fazia o dia inteiro trancado naquele quarto? Eu respondi a eles, meio entressonhado, que eu estava escovando palavras. Eles acharam que eu não batia bem. Então eu joguei a escova fora.”

Manoel de Barros certamente se referia ao ofício do poeta, esse ser que, com ou sem escova, brinca com as possibilidades de significação da língua. No entanto, há outros ofícios que na atualidade derivam do gosto pela palavra e que unem os profissionais que atuam na área das Linguagens. Entre esses, encontram-se os que se dedicam ao estudo e ao trabalho com as línguas e a literatura.

Passar os dias entre livros, ler e analisar textos, perceber combinações linguísticas singulares e, ainda, aproveitar esse conhecimento para auxiliar outros a se desenvolverem é parte do cotidiano do profissional de Letras. Na Universidade de Passo Fundo, o curso é oferecido como Licenciatura, ou seja, forma professores de línguas, portuguesa, inglesa e espanhola, e de literatura. Certamente nem todos os egressos atuam como professores, uma vez que as habilidades aprimoradas ao longo do curso propiciam aos estudantes atuarem em áreas afins, como revisão de textos, prestação de serviços editoriais e linguísticos a empresas, apoio a traduções, entre outros.

Em levantamento recente realizado entre os últimos níveis do Curso de Letras da Universidade de Passo Fundo, constatou-se que grande parte dos estudantes já se encontra atuando no mercado de trabalho, sendo que 75% atuam na área, em funções como professor em escolas, professor em cursinhos de idiomas, monitor em sala de aula, agente de leitura em bibliotecas, entre outras.

Outro dado interessante revelado no levantamento realizado diz respeito à remuneração: 82% dos entrevistados que atuam na área da educação declaram receber mais de um salário mínimo, sendo que a média salarial constatada na pesquisa é de dois salários mínimos. É importante frisar também que o profissional da área de Letras tem a opção de equacionar suas horas de trabalho, uma vez que grande parte dos contratos de trabalho são de 20h, possibilitando, assim, que ele atue em escolas diferentes ou que mantenha outras atividades complementares paralelas. Isso mostra que o profissional das letras tem um campo de atuação flexível e amplo no que diz respeito ao universo das linguagens.

Professora Dra. Marlete Sandra Diedrich
Coordenação do curso de Letras da Universidade de Passo Fundo

Assessoria de Imprensa Universidade de Passo Fundo