PASSO FUNDO – Setembro Dourado: oncogenética é aliada na prevenção do câncer infanto-juvenil

Cerca de 10% dos tumores diagnosticados em crianças podem ser decorrentes de alterações genéticas hereditárias

Setembro Dourado faz um alerta para a prevenção do câncer infantojuvenil. O câncer já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil. Conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se cerca de 12,5 mil casos novos de câncer em crianças e adolescentes no país por ano e cerca de 2,8 mil mortes.

Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afeta os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático). Mas também são comuns o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).

Importância da oncogenética na infância
A oncogenética é a área da genética médica que identifica pessoas que estão em maior risco de desenvolver câncer no futuro ou pessoas diagnosticadas previamente com câncer, mas que possuem risco de desenvolver um novo tumor primário.

Conforme a médica geneticista, especialista em oncogenética, do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Dra. Daniele Konzen, a oncogenética pediátrica é uma importante aliada no combate ao câncer. “De modo semelhante ao observado em adultos, estima-se que cerca de 10% dos tumores diagnosticados em crianças sejam decorrentes de alterações genéticas que podem ser hereditárias. A identificação das crianças e de suas famílias portadoras de alterações genéticas que predispõem ao câncer é fundamental para proporcionar a chance de diagnóstico precoce e mesmo da prevenção da ocorrência de um câncer”, explica Daniele.

A médica geneticista destaca algumas situações que merecem atenção como o diagnóstico de sarcomas ósseos, câncer de glândula adrenal e alguns casos de câncer em sistema nervoso central. Esse grupo de tumores pode fazer parte da síndrome de Li-Fraumeni, ocasionada por alterações no gene TP53. “Essa síndrome predispõe a uma diversidade de tumores tanto em crianças como em adultos, sendo frequente o diagnóstico de câncer de mama em idade jovem entre mulheres portadoras dessa síndrome”, pontua.

Um outro tipo de câncer que pode estar ligado a alterações genéticas é o retinoblastoma, o tumor oftalmológico mais comum na infância. “Quando realizado seu diagnóstico precoce, o tratamento pode ter um bom prognóstico, mas se diagnosticado tardiamente pode levar a perda visual. A chance de ser hereditário é bastante alta, especialmente se diagnosticada antes do primeiro ano de vida, se for bilateral ou se houverem outros casos na família”, esclarece a médica geneticista do CTCAN.

Natália Fávero – Assessoria de Imprensa CTCAN