Eleições 2018: discernimento e esperança

No dia 20 de agosto iniciou o tempo da propaganda eleitoral visando a escolha dos nossos futuros representantes, nos dias 07 e 28 de outubro: presidente da República, governador, deputados estaduais, deputados federais e senadores. É tempo de sério discernimento e afirmação da esperança. Na 56ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos do Brasil, enviaram a mensagem Eleições 2018: compromisso e esperança, tomando uma frase inspiradora da Carta aos Hebreus: “Continuemos a afirmar a nossa esperança, sem esmorecer” (Hb 10,23). Não podemos ceder à tentação da indiferença ou unicamente a revolta diante da realidade social e do modo antiético como muitos representantes nossos têm conduzido o mandato que o povo lhes delegou para promover o bem comum. “A atual situação do País exige discernimento e compromisso de todos os cidadãos e das instituições e organizações responsáveis pela justiça e pela construção do bem comum”, diz a Mensagem.

Todos os cristãos, como cidadãos de nosso país, são convidados a se empenharem na construção de um país melhor para nós e para as próximas gerações. Todos os brasileiros são conscientes de que “a carência de políticas públicas consistentes no país, está na raiz de graves questões sociais, como o aumento do desemprego e da violência que, no campo e na cidade, vitima milhares de pessoas, sobretudo, mulheres, pobres, jovens, negros e indígenas”, afirmam os bispos. A Igreja sente-se, a partir de nossa fé em Jesus Cristo, chamada a ser “advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu” (Documento de Aparecida, n. 395). A fé cristã não diz respeito somente à intimidade das pessoas, mas incide sobre a caridade social, a construção de relações humanas fraternas e solidárias.

Um processo criterioso de discernimento é imprescindível. “É fundamental, portanto, conhecer e avaliar as propostas e a vida dos candidatos, procurando identificar com clareza os interesses subjacentes a cada candidatura. A campanha eleitoral torna-se, assim, oportunidade para os candidatos revelarem seu pensamento sobre o Brasil que queremos construir. Não merecem ser eleitos ou reeleitos candidatos que se rendem a uma economia que coloca o lucro acima de tudo e não assumem o bem comum como sua meta, nem os que propõem e defendem reformas que atentam contra a vida dos pobres e sua dignidade. São igualmente reprováveis candidaturas motivadas pela busca do foro privilegiado e outras vantagens” (CNBB, Eleições 2018: compromisso e esperança).

Em síntese, algumas atitudes podem ajudar neste discernimento: superar a indiferença e ter interesse pela política; pesquisar muito sobre os candidatos, sua história, sua formação, com fontes seguras, cuidando das fake news; conhecer o estatuto do partido e os valores que defende para ver se estão de acordo com o que cremos e se encontra no evangelho sobre a vida humana, a família e a justiça social; se já exerceu cargo público, conhecer sua conduta, ver se honrou seus compromissos e se não se envolveu em esquemas de corrupção; procurar conhecer quem o candidato representa e com quem está comprometido. Para um católico, a defesa da vida, desde a concepção, passando pelas situações de sofrimento na sociedade, é um critério decisivo.

A Lei da Ficha Limpa, a crescente vigilância do povo brasileiro diante da corrupção e a nova legislação sobre o financiamento das campanhas são sinalizadores de esperança. O Senhor “nos conceda mais políticos que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres” (Papa Francisco – Evangelii Gaudium, n. 205).

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta