PASSO FUNDO – Tratamento do câncer na cabeça e pescoço pode comprometer fala do paciente

Dia 27 de julho é o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. Campanha Julho Verde tem como tema “Toda voz merece ser ouvida”

Julho Verde é o nome da campanha deste mês para a conscientização no combate ao câncer de cabeça e pescoço. Esses tumores atingem boca, língua, palato mole e duro, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe, esôfago cervical e seios da face, entre outras regiões. O tema escolhido da campanha deste ano pela Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG Brasil) é “Toda voz merece ser ouvida” já que, muitas vezes, o tratamento compromete a fala do paciente.

O câncer de laringe e cavidade bucal, por exemplo, mata mais de 10 mil pessoas, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O Brasil registra a cada ano cerca de 40 mil novos casos desses tumores malignos. Os números correspondem a 4% de todos os tipos da doença, sendo terceiro mais incidente entre os homens brasileiros.

Conforme a fonoaudióloga do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Gabriela Decol Mendonça, as estruturas presentes na face, cavidade oral, e pescoço são extremamente importantes para a integração social e qualidade de vida do paciente. “Para produzirmos a nossa voz e fala, precisamos do ar que vem dos pulmões, passa pela traqueia, pregas vocais que estão na laringe, faringe e boca até a articulação do som. Para nos alimentarmos, o alimento passa pela boca, faringe, esôfago e estômago, no processo de deglutir a laringe se fecha para evitar que o alimento atinja o pulmão. Tumores em qualquer parte desta complexa unidade funcional, podem prejudicar a região como um todo”, explicou a fonoaudióloga.

Manter a qualidade de vida neste processo é de extrema importância, já que o tratamento pode, eventualmente, ser mutilante. “Muitos pacientes apresentam sintomas como disfagia (dificuldade para engolir), disfonia (alteração vocal) ou afônia (ausência da voz), nesses casos o fonoaudiólogo é fundamental no processo de reabilitação e para evitar maiores complicações”, observou Gabriela.

É importante que o fonoaudiólogo esteja integrado à equipe de oncologia, assim a intervenção precoce traz maiores benefícios ao tratamento. “Os tumores de cabeça e pescoço devem sempre ser abordados por uma equipe multidisciplinar, da qual participam o cirurgião de cabeça e pescoço, o radioterapeuta, o oncologista clínico, o radiologista, cirurgião plástico, dentista, enfermeiros, nutricionista e fonoaudiólogo. Uma avaliação conjunta desta equipe é essencial para planejar o tratamento, o seguimento clínico e a reabilitação”, destacou a fonoaudióloga.

Álcool, cigarro e o papilomavírus (HPV) são os principais fatores de risco
Conforme o oncologista clínico do CTCAN, Dr. Alvaro Machado, a maior prevenção para evitar o câncer de cabeça e pescoço é evitar a ingestão de bebidas alcoólicas, não fumar e realizar a vacina contra o HPV. “Não fumar, restringir o álcool e realizar a vacinação contra o HPV nos jovens são as principais dicas de prevenção. Além disso, dentes mal cuidados e próteses mal ajustadas também estão entre os fatores de risco. É importante manter um bom cuidado dental e higiene oral”, salienta o oncologista.

Os principais sintomas desse tipo de câncer são feridas na boca e língua que não cicatrizam, dificuldade ou dor ao deglutir, rouquidão, nódulo no pescoço e, mais tardiamente, emagrecimento, dor e sangramento oral. “Se essas feridas não cicatrizarem e os sintomas não melhorarem em duas semanas, o paciente deve procurar seu médico ou dentista. O tratamento da doença em fase inicial é cirúrgico. Em estágios localizados, mas quando a cirurgia pode ser mutiladora, a radioterapia com quimioterapia é preferível. Em estágios avançados a quimioterapia, a radioterapia, terapia alvo e imunoterapia ajudam a controlar a doença, aumentar o tempo de vida e dar qualidade de vida”, revela o oncologista.

O diagnóstico precoce é fundamental para a cura do câncer de cabeça e pescoço. Conforme informações da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), um dos principais problemas é o diagnóstico tardio, que ocorre em 60% dos casos, provocando sequelas no paciente. De cada quatro diagnósticos de câncer de cabeça e pescoço, três são em estadio avançado e mais de 50% vão a óbito.

Confira mais sobre a campanha #JulhoVerde no site www.acbgbrasil.org/julhoverde.

Natália Fávero – Assessoria de Imprensa CTCAN