Produtores de soja contestam valor de royalties cobrado pela Monsanto

O valor cobrado pelos royalties da semente de soja foi o principal tema de reunião realizada na sede da Farsul envolvendo representantes de produtores rurais, cooperativas, cerealistas e a Monsanto. No encontro realizado ao longo da tarde de quarta-feira, dia 20, a empresa sinalizou com manutenção dos preços e aplicação de descontos na antecipação de pagamentos, proposta avaliada como distante do esperado pela Federação. A entidade defende uma revisão dos percentuais cobrados, que atualmente estão em 7% na moega, na hora do faturamento da soja grão.

O vice-presidente da Farsul, Elmar Konrad, lembra que a Federação considera inegável o direito à propriedade intelectual e é favorável à cobrança dos royalties. Entretanto, considera os preços elevados.

– Apoiamos a evolução da tecnologia e o princípio da propriedade privada intelectual no caso das sementes. Mas, sugerimos a negociação para redução de royalties, medida que acarretaria numa maior adesão de pagamento por parte dos produtores – explica.

Outro ponto levantado por Konrad está na promessa de um acréscimo de 10% na produção com a tecnologia Intacta. Porém, o dirigente lembra que os Ensaios em Cultivares em Rede, realizados pela Fundação Pró-Sementes em parceria com o Sistema Farsul, indicam um resultado diferente.

– Nos trabalhos de prática efetuados, o comparativo entre os cultivares RR e Intacta não apontam 10%, mas 3% – lembra.

A proposta da Monsanto está em não aplicar correção monetária nos preços e a possibilidade de um desconto de 5% para pagamentos antecipados.

– Vimos uma posição bem clara de que, inicialmente, não está nos planos da Monsanto mexer em valores – avalia Konrad. Mas ele destaca que na reunião foi considerada a utilização de uma nova metodologia.

– A Monsanto acenou com uma pré-certificação, que seria uma identificação preliminar das lavouras com Intacta. Acho que seria um caminho a ser considerado junto com as entidades para a redução dos preços – pondera.

O vice-presidente chama a atenção para o peso desses valores nos custos de produção.

– Hoje temos um custo muito alto em relação ao crédito e ao seguro rural somado aos royalties. Num custeio de dois mil reais, esses gastos somam seiscentos reais antes mesmo de levantarmos o telefone para buscar o primeiro insumo – critica.

Airton Gilmar Roos, da diretoria da Associação dos Cerealistas do RS (Acergs), disse que a posição da classe é favorável ao pagamento dos royalties como forma de remunerar a pesquisa, mas defende valores mais adequados à atividade produtiva.

– Nossa entidade deixou claro que não queremos mais participar do processo de auditoria fiscalizando produtores para a Monsanto. Fizemos questão de frisar que, se a multinacional não encontrar um novo formato de cobrança, corre o risco de as cerealistas deixarem de fazer a classificação, como já ocorreu na região de Panambi e Tupanciretã – explicou Airton Roos.

O executivo que representou a Monsanto na reunião, Márcio Santos, argumentou que a empresa não abre mão do valor reajustado (R$ 138,00/ha ou R$ 151,80). Usou a Argentina como exemplo, onde, por não ter havido consenso sobre a cobrança dos royalties, a empresa deixou aquele país.

Márcio Santos disse ainda que a Monsanto está trabalhando num projeto piloto junto com a Cotrijal, para fazer uma pré-certificação nas lavouras e esses produtores não seriam auditados na safra.

Além da Farsul, a reunião contou com representantes do Senar-RS, Acergs, Fetag, Apassul, Abrasem e Aprosoja/RS. A Fecoagro também já se manifestou favorável a revisão dos valores. Um novo encontro será agendado para a continuidade das negociações.

Fonte: Imprensa Sistema Farsul