GETÚLIO VARGAS – Mulher assume ter ateado fogo em feto

Suspeita se apresentou à Polícia Civil e disse ter feito o crime após a criança ter nascido morta

Uma mulher assumiu ser a mãe de um feto encontrado carbonizado em Getúlio Vargas no último dia 3. Em depoimento à Polícia Civil, ela disse ter tido um aborto espontâneo. No entanto, a PC não descarta a possibilidade de homicídio ou mesmo um aborto provocado. O delegado responsável pela investigação, Jorge Fracaro Pierezan, afirmou que a mulher disse ter ateado fogo à criança após o nascimento. “Ela nos informou que a criança nasceu morta e que se desesperou. Disse que era uma gravidez indesejada, que não podia ser descoberta; ateou fogo na criança para sumir com o corpo”, explicou o delegado.

O feto foi encontrado por um dos novos inquilinos de uma casa na Rua Alexandre Bramatti, no Bairro São Pelegrino. A PC esteve no local, assim como o Instituto-Geral de Perícias (IGP) e recolheu o material, que foi identificado como o pé do feto e outras partes que foram consumidas pelo fogo na churrasqueira do imóvel.

Durante a semana passada, os policiais receberam outras informações sobre a localização de outra parte do feto. “O corpo do bebê tinha sido guardado dentro de uma caixa e estava dentro da residência”, disse Pierezan. Os policiais e o IGP foram novamente ao local e recolheram o material para ser periciado.

Segundo Jorge Fracaro Pierezan, algumas informações repassadas pela suspeita contradizem a investigação, ainda que ela tenha assumido o crime. A suspeita disse ter feito tudo sozinha. No entanto, a polícia investigará se houve participação de outras pessoas no fato, que, segundo a suspeita, ocorreu no dia 16 do mês passado.

Agora, a investigação aguarda o laudo do IGP que apontará se houve um homicídio ou um aborto provocado pela própria gestante. Com base na investigação, o delegado pediu a prisão preventiva da mulher, que foi apoiada pelo Ministério Público. A justiça, no entanto, negou o pedido. Por isso, a mulher responderá o processo em liberdade.

Sem arrependimento

Novas diligências serão feitas ainda nesta semana antes do encerramento do inquérito. O delegado relatou ainda que não percebeu arrependimento por parte da mulher. “Eu já tomei muitos depoimentos nesses anos de polícia. Abalada com a situação ela se mostra, mas eu não percebo um arrependimento genuíno. É mais pelo fato de responder um processo, mudar a vida daqui para a frente. Mas eu realmente não consigo ver um arrependimento genuíno”, disse.

Diário da Manhã