Leigos que testemunham a fé

As imagens bíblicas escolhidas para o Ano do Laicato são muito inspiradoras. São apresentadas por Jesus a seus discípulos: “Vós sois o sal da terra [...] vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14). Sal e luz falam de uma missão, salgar, dar sabor, iluminar, possibilitar que se veja o caminho. São sinônimos de testemunho humilde. O sal se dissolve, desaparece. A luz espalha-se em todo ambiente. O cristão é chamado a gerar vida, a servir e amar em todas as circunstâncias, a exemplo do Mestre que “amou-nos até o fim” (Jo 13,1).

É verdade que existem cristãos que não dão bom testemunho com sua vida. São causa de escândalos, pelo roubo, pela violência, corrupção, injustiça. Outros desprezam os pobres e vivem numa ilha de luxos e consumismo. Sempre o joio cresce no meio do trigo (cf. Mt 13,24-30), inclusive em todos nós.Mas, sem perder a paz por causa do joio, os cristãos sabem que Jesus os envia ao mundo “para que produzais fruto e que o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16). Merece ser exaltado o testemunho da multidão de leigos e leigas, presentes na Igreja, nas pastorais sociais, na sociedade, na educação, nas famílias, nas entidades filantrópicas e de assistência social e tantos outros âmbitos que, pelo amor apaixonado por Jesus Cristo e seu projeto do Reino, fazem o mundo ser melhor. Não aparecem nas estatísticas e raramente são notícia. Mas as pessoas os identificam: o professor ou professora da comunidade; os catequistas; os agentes das pastorais; um pai e uma mãe que lutam com dignidade para criar seus filhos e educá-los; leigos dos diferentes ministérios que servem a comunidade com alegria por longos anos; voluntários que, com amor, oferecem de seu tempo e seus recursos para entidades que se ocupam dos mais necessitados; políticos que serviram de maneira honesta e despretensiosa o bem comum. Esta lista continua com todas as categorias e nomes que recordamos com gratidão. Fazemos nossas as palavras de Jesus quando orou: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21).

O caminho da santidade, à qual todos os batizados são chamados, encontra sua concretização, nos leigos neste humilde e corajoso serviço cristão ao mundo. Há uma exigência de coerência entre ser membro da Igreja e ser cidadão. “O cristão leigo expressa o seu ser Igreja e o seu ser cidadão na comunidade eclesial e na família, nas opções éticas e morais, no testemunho de vida profissional e social, na sociedade política e civil e em outros âmbitos” (CNBB, Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade, n.165). Portanto, não é preciso sair da Igreja para ir ao mundo. É o mesmo batizado que vive sua fé em todos os ambientes. Já diziam os cristãos do segundo século, na Carta a Diogneto: “O que a alma é para o corpo são no mundo os cristãos”.

Precisamos crescer muito no testemunho coerente de nossa fé em todos os ambientes, seja na vida pessoal, eclesial, familiar e social. São ainda poucos os santos e santos reconhecidos oficialmente pela Igreja que se santificaram como pais e mães, jovens, idosos ou na sua profissão. A maioria dos processos de canonização continua sendo de religiosos, religiosas e do clero. Mas vale a pena conhecer a vida de mártires, santos, leigos e leigas, como Santa Gianna Beretta Molla, São José Moscatti, São Luís Martin e Santa Zélia Guérin – pais de Santa Teresa de Lisieux, Santa Mônica, Santa Laura Vicuña, São Juan Diego, Beata Nhá Chica…

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta