Os leigos e a corresponsabilidade na evangelização

Como membros do Povo de Deus, pertencentes ao único Corpo de Cristo, os leigos e leigas, segundo o que lhes é próprio, participam da mesma missão que Cristo Ressuscitado deixou aos apóstolos: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos” (Mt 28,19). É o mesmo batismo que nos vincula a Cristo, à sua Igreja, numa comunidade de fé, “como membros vivos” (Lumen Gentium, n.33) e partilhamos a mesma missão. Assim, “o apostolado dos leigos é participação na própria missão salvífica da Igreja” (Lumen Gentium, n.33).

Por isso, os leigos e leigas não podem compreender seu lugar e missão na evangelização como meros executores das orientações dos pastores. Várias vezes, o Papa Francisco repetiu esta ideia de que o rebanho tem seu próprio faro e sabe intuir o caminho por onde andar. Os leigos fazem parte da “unção espiritual” dada a toda a Igreja: “Deus dota a totalidade dos fiéis com o instinto da fé – sensusfidei – que os ajuda a discernir o que vem realmente de Deus” (EvangeliiGaudium, n.119). Já o Papa Bento XVI o expressou de maneira mais clara ainda: “A corresponsabilidade exige uma mudança de mentalidade, relativa, em particular, ao papel dos leigos na Igreja, que devem ser considerados não como ‘colaboradores’ do clero, mas como pessoas realmente ‘corresponsáveis’ do ser e do agir da Igreja” (10 de agosto de 2012).

Esta corresponsabilidade não significa confusão ou intromissão no que é específico do ministério ordenado (diáconos, padres e bispos), mas compreensão do seu lugar próprio na organização da comunidade eclesial e, sobretudo, na sua presença na sociedade. De fato, “os leigos, são especialmente chamados para tornarem a Igreja presente e operosa naqueles lugares e circunstâncias onde apenas através deles ela pode chegar como sal da terra” (Lumen Gentium, n.33). Na comunhão e na diversidade ministerial testemunhamos melhor o Evangelho. Nem os leigos almejarem o lugar específico dos ministros ordenados e nem os ministros ordenados realizarem o que não lhes compete.

Para que isto seja possível é necessário formar um laicato maduro, como é a proposta do grande projeto em curso de Iniciação à Vida Cristã. Cristãos discípulos missionários de Jesus Cristo, que testemunhem sua fé, com coerência, em todos os ambientes. Multiplicam-se as possibilidades de formação e aprofundamento bíblico e doutrinal em nossas paróquias e diocese. A formação dos nossos batizados deve ser permanente. Não é suficiente uma palestra ou curso breve. Assim, podemos conhecer, amar e nos comprometer com a missão evangelizadora. Hoje, temos facilidade de acesso a informações também pelos meios de comunicação. Isto pode ajudar muito, mas também exige um processo de discernimento, pois nem todos os conteúdos vinculados estão em comunhão com a orientação do magistério e a doutrina da Igreja.

Concretamente, esta corresponsabilidade também se dá na participação nos conselhos paroquiais de pastoral e administração, bem como no grande número de possibilidades de serviços e ministérios leigos. A Igreja somos todos os batizados. Procure informações em sua paróquia. Conheça e aprofunde sua fé. Como leigo ou leiga, você é “membro vivo” e corresponsável pela missão da Igreja.

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta