15 de novembro

Durante o ano, temos vários feriados que são fundamentados em razões patrióticas ou civis ou religiosas, entre outras. Eles permitem que as pessoas se ocupem, de alguma maneira, com as razões que os motivaram. Por exemplo, o feriado de finados proporciona a reflexão sobre a morte, reverenciar os antepassados, visitar aos cemitérios, rezar, celebrar missas, realizar cultos. O feriado facilita para que uma multidão de pessoas tenha tempo de recordar saudosamente os falecidos. O feriado de 07 de setembro é marcado por manifestações patrióticas, desfiles, protestos para ressaltar o significado da independência do país.

Dia 15 de novembro é feriado da Proclamação da República. Sem entrar no debate das diferentes causas e das motivações dos líderes que idealizaram e conduziram o processo para um novo modelo de organizar e administrar o país, é preciso ressaltar que foi uma profunda reforma. Um acontecimento histórico que marca o fim da monarquia e dá início à era republicana.

De todos os feriados nacionais que temos o Dia da Proclamação da República parece ser aquele que tem a menor repercussão. Não acontece nada de significativo relacionado com o fato histórico que deu origem ao feriado. É feriado pelo feriado.

Certamente, os líderes republicanos idealizavam que a mudança do modelo imperial para o republicano traria muitos benefícios para os brasileiros. Porém, a história da humanidade é marcada por crescimentos e recuos. O desenvolvimento tecnológico, econômico e organizativo da sociedade não garante, por si só, um desenvolvimento somente ascendente. Com frequência, ouve-se alguém exclamar escandalizado: “em pleno século XXI, isto ainda acontece, são coisas da Idade Média”. É uma leitura de quem pensa que a simples passagem dos séculos é garantia de qualidade de vida melhor para todas as pessoas e povos dos séculos seguintes.

O feriado de 15 de novembro é uma oportunidade para pensar e desencadear uma Reforma do Estado brasileiro. Passados 128 anos, temos hoje razões suficientes para questionar duramente o sistema atual. É um modelo marcado por privilégios de indivíduos e grupos que sacrificam e marginalizam uma multidão de brasileiros. É voz corrente que a cobrança de impostos é desproporcional aos serviços prestados para a sociedade. Os mais pobres pagam, proporcionalmente, mais impostos. Os serviços públicos, em geral, são demorados e de uma burocracia questionável, testando a paciência dos cidadãos. Além disso, as crises vão aparecendo em todos os poderes.

Um dia Jesus disse: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”. Do mesmo modo o Estado é para os cidadãos e não os cidadãos para o Estado. Ele “existe para obter um fim comum, inatingível de outra forma: o crescimento em plenitude de cada um de seus membros chamados a colaborar de modo estável para a realização do bem comum, sob o impulso da sua tensão natural para a verdade e para o bem” (DSI – Compêndio da Doutrina Social da Igreja nº 384).

O processo de pensar o Estado precisa ter participação. “O povo não é uma multidão amorfa, uma massa inerte a ser manipulada e instrumentalizada, mas sim um conjunto de pessoas, cada uma das quais – no próprio lugar e a seu modo – tem a possibilidade de formar a própria opinião a respeito da coisa pública e a liberdade de exprimir a própria sensibilidade política e de fazê-la valer em maneira consoante com o bem comum” (DSI nº 385).

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo