TAPERA – Cotrisoja realiza Seminário do Leite

Potencialidades e desafios da atividade leiteira. Estes foram alguns dos temas tratados no primeiro evento realizado pela Cooperativa, destinado exclusivamente a produtores de leite. Mais de 200 associados participaram do encontro que teve como objetivo alavancar a produtividade e lucratividade das leiterias.

O Diretor Administrativo da Cotrisoja realizou os discursos de abertura do evento, no qual destacou a importância da atividade leiteira na região: “Estamos inseridos em um das principais bacias leiteiras do Rio Grande do Sul. Desta forma, fica evidente a necessidade da Cooperativa apoiar cada vez mais a categoria, de modo a oferecer subsídios para o fomento e fortalecimento da atividade”.

“Estratégias para o Período de Transição” foi o tema da primeira palestra, ministrada pelo médico veterinário e consultor técnico da Bayer, André Luis Grando Pratto: “Tecnicamente, o período de transição corresponde a três semanas antes e três semanas após o parto das vacas. A importância que se dá a este período é um dos pontos-chave quando se pensa em como acompanhar e em como melhorar a propriedade. É um momento de desafio para o animal que está no final da gestação. A vaca vai parir e começar uma nova lactação. Estas mudanças metabólicas e hormonais fazem com que a vaca esteja em um momento delicado. Desta forma, tudo o que fizermos para cercar o animal de cuidados vai nos retornar em leite”.

O produtor de leite, do município de Joia, Fabrício Nascimento, trouxe o tema “Sucessão Rural e Estratégias para se Manter na Propriedade em Tempos de Crise”: “O primeiro ponto que eu observo quando falo em sucessão rural, tanto dos pais quanto dos filhos, é o comprometimento com a atividade. É preciso gostar do que está fazendo. A partir daí é preciso traçar metas, planejar o que precisa e o que se quer fazer. Salário fixo, internet, folga aos finais e semana e férias, são alguns atrativos que os jovens encontram na cidade e que precisam ser ofertados no campo. Em relação às estratégias para se manter na atividade, eu digo que devemos nos preocupar menos com o preço do leite. Precisamos repensar melhor no que fica da porteira para dentro, ou seja, com os custos. O nosso objetivo deve ser trabalhar para ter rentabilidade por litro de leite. Devemos ter em mente que tudo o que compramos e tudo o que gastamos, nós pagamos em leite”.

Antenor Fornazari Neto, médico veterinário, especialista em nutrição de bovinos leiteiros e produção de ruminantes e representante da empresa PNI Nutrição Animal, dissertou o tema “Manejo e Nutrição de Bovinos de Leite em Pré e Pós-Parto”: “Estes 42 dias são vitais para o sucesso da atividade leiteira e para a saúde da fertilidade dos animais. Tratamos sobre este assunto baseado em três conceitos básicos: Conforto – muito conforto para as vacas de pré e pós-parto. É preciso proporcionar ao animal um ambiente onde haja espaço para se mover e deitar. Manejo – é preciso separar os lotes: as vacas que pariram várias vezes devem ficar separadas das que estão parindo pela primeira vez. Nutrição – a parte nutricional é distinta nos dois períodos. Durante o pré-parto deve ser oferecida ao animal uma dieta baseada em rações aniônicas. Esta dieta vai auxiliar na prevenção de descalcificações, retenções de placentas, edemas de úbere, deslocamento de abomaso, além de incentivar o animal a comer melhor e mais rápido, culminado em uma vaca mais saudável. No pré-parto não podemos alimentar o animal com pastagens muito adubadas, foliosas, de rebrota. Não devem ser ofertados nem mesmo fenos e pré-secados oriundos dessas plantas, pois o potássio contido nelas ocasionam grandes problemas para as vacas que estão neste período”.

“Programa Sanitário em Rebanhos Leiteiros para Controle das Principais Enfermidades”, foi o tema da última palestra do evento e apresentada pelo médico veterinário e gerente técnico nacional da empresa Basso Pancote, Daniel Borelli: “A primeira coisa que devemos fazer é um diagnóstico do que realmente importa e o que interfere na produção de cada propriedade. Para isso, recomendamos o diagnóstico das principais enfermidades e problemas sanitários, a ser realizado por um profissional. A partir daí, admite-se que existem essas enfermidades e monta-se um programa sanitário baseado nos fatos e não somente no que é mais fácil de fazer. É preciso priorizar o que tecnicamente deve ser feito para que essas atitudes se reflitam, a médio e longo prazo, em lucratividade. Sugerimos aos associados que procurem a Cotrisoja, que tem uma equipe especializada para estas atividades, e elaborem um programa sanitário adequado para cada propriedade”.

O gerente de varejo, Alexi Loesch, encerrou o encontro ressaltando a importância do Seminário: “A ideia das equipes das Lojas Agropecuárias, Fomento Pecuário e Fábrica de Rações foi de realizar um evento com o objetivo de deixar nosso associado cada vez mais apto a definir as estratégias que tornem sua propriedade mais rentável. A atual situação economia da cadeia leiteira é delicada, porém quem trabalha nesta área sabe que faz parte de um ciclo.

Loesch falou ainda sobre o apoio das empresas: “Através das empresas parceiras, conseguimos proporcionar um evento para discutir novas estratégias, novas tecnologias e ideias que possam daqui para frente proporcionar cada vez mais renda aos produtores. O sistema cooperativo por si só já fala em cooperação e nós conseguimos trazer pessoas de renome, ligadas a atividade para apresentar informações técnicas aos nossos associados”. O Seminário do Leite Cotrisoja contou com o apoio das seguintes empresas: PNI Nutrição Animal, Bayer Saúde Animal, Basso Pancote, Intersul/MSD, Biofórmula, Resolpec/Elanco, Timac/Zootec, Diamajú, Ouro Fino e Yes Biotecnologia em Saúde Animal.

Janaína Schreiner